Opinião em um Mundo Conectado
O mundo ocidental lutou tanto pela democracia, e promove tanto a liberdade de expressão como um dos pilares da modernidade, que é irônico vivermos numa sociedade tão sensível à opinião. Como todos os excessos, expressar-se demais pode fazer mal, mas a discussão democrática continua sendo a melhor ferramenta para a evolução da sociedade.
A Internet muda a forma como nos expressamos, e seus instrumentos também mudam em uma velocidade maior do que podemos nos adaptar. Adaptar-se, por si só, virou uma necessidade e uma arte constante. O fator visibilidade, porém, é permanente: a comunicação na Internet é aberta, escancarada, de grande alcance e rápida expansão, como nunca foi no mundo real. A evolução da Internet só tende a acentuar a exposição de seus usuários.
Os quinze minutos de fama de Andy Warhol ganham um novo sentido em um mundo conectado, onde a informação viaja tão rápido e não se perde. Vídeos insignificantes no YouTube somam milhares, às vezes milhões de visualizações. Entrevistas polêmicas com populares, que antigamente seriam perdidas na grade de programação dos canais, agora são imortalizadas pelo público. Opiniões polêmicas e sem bom senso podem levar um desconhecido à fama – e aos tribunais.
A camada de proteção que o apenas aparente anonimato da Web fornece faz com que as pessoas ajam de formas que nunca agiriam no mundo real. O anonimato é falso. A internet exige denodo, cautela, precaução. Todos, sem exceção, estão sujeitos à lei do mundo real na Web, e também à opinião pública, às vezes mais perigosa que a lei. Prestadores de serviço e consultores em geral também estão sujeitos à visibilidade das corporações, sendo imprudente manifestar-se contra qualquer empresa – você nunca sabe quem será seu próximo cliente.
O mundo ocidental, especialmente a porção mais capitalista das sociedades, ainda é um lugar tímido à opinião. No mundo artístico, todo ponto de vista é válido, mas no mundo empresarial posições políticas, religiosas e filosóficas podem ser um dos fatores determinantes para você conseguir – ou não – um emprego. Cabe a você decidir o quanto você está disposto a colocar em risco sua carreira em prol de divulgar suas convicções.


