Opinião em um Mundo Conectado

December 6th, 2011 Bruno No comments

O mundo ocidental lutou tanto pela democracia, e promove tanto a liberdade de expressão como um dos pilares da modernidade, que é irônico vivermos numa sociedade tão sensível à opinião. Como todos os excessos, expressar-se demais pode fazer mal, mas a discussão democrática continua sendo a melhor ferramenta para a evolução da sociedade.

A Internet muda a forma como nos expressamos, e seus instrumentos também mudam em uma velocidade maior do que podemos nos adaptar. Adaptar-se, por si só, virou uma necessidade e uma arte constante. O fator visibilidade, porém, é permanente: a comunicação na Internet é aberta, escancarada, de grande alcance e rápida expansão, como nunca foi no mundo real. A evolução da Internet só tende a acentuar a exposição de seus usuários.

Os quinze minutos de fama de Andy Warhol ganham um novo sentido em um mundo conectado, onde a informação viaja tão rápido e não se perde. Vídeos insignificantes no YouTube somam milhares, às vezes milhões de visualizações. Entrevistas polêmicas com populares, que antigamente seriam perdidas na grade de programação dos canais, agora são imortalizadas pelo público. Opiniões polêmicas e sem bom senso podem levar um desconhecido à fama – e aos tribunais.

A camada de proteção que o apenas aparente anonimato da Web fornece faz com que as pessoas ajam de formas que nunca agiriam no mundo real. O anonimato é falso. A internet exige denodo, cautela, precaução. Todos, sem exceção, estão sujeitos à lei do mundo real na Web, e também à opinião pública, às vezes mais perigosa que a lei. Prestadores de serviço e consultores em geral também estão sujeitos à visibilidade das corporações, sendo imprudente manifestar-se contra qualquer empresa – você nunca sabe quem será seu próximo cliente.

O mundo ocidental, especialmente a porção mais capitalista das sociedades, ainda é um lugar tímido à opinião. No mundo artístico, todo ponto de vista é válido, mas no mundo empresarial posições políticas, religiosas e filosóficas podem ser um dos fatores determinantes para você conseguir – ou não – um emprego. Cabe a você decidir o quanto você está disposto a colocar em risco sua carreira em prol de divulgar suas convicções.

Share
Categories: Análise Tags: ,

A nova era da exploração espacial

November 16th, 2011 Bruno 1 comment

11_virgingalacticll_500x4372[1]

O homem pisou na lua pela primeira vez há 50 anos, e levou seu primeiro robô para Marte há 37 anos. Desde então, os maiores feitos da humanidade no espaço giraram em torno da construção da Estação Espacial Internacional, do envio de sondas para partes distantes da galáxia e da construção de microscópios poderosos. A habitação do espaço, contudo, continua um sonho distante. Mesmo a visita a outros planetas permanece uma ideia longínqua, complexa e cara. Os crescentes avanços da tecnologia contrastam com esse atraso, e é justamente esse abismo que favorecerá à iniciativa privada em uma nova era de exploração espacial.

Nossa evolução na exploração espacial tem sido, na melhor das hipóteses, tímida. A presença no espaço exclusiva das agências governamentais, de estrutura e capacidade em geral pouco dinâmicas, desacelera o progresso do homem ao universo – afinal, não há mais corrida espacial. Conforme a balança do poder no mundo muda, o processo só é mais desacelerado; com América do Norte e Europa em crise, o investimento dos países líderes em tecnologia espacial é reduzido substancialmente, e enquanto países emergentes como China e Rússia assumem papel de protagonista, seus esforços no espaço ainda são tímidos e estruturantes.

A NASA desenhou sua principal nave de exploração espacial há trinta anos para que fosse reutilizável e de baixo custo, permitindo numerosos voos consecutivos, daí o nome Ônibus Espacial (do inglês Space Shuttle). Apesar dos importantes sucessos tecnológicos acumulados em seu desenvolvimento, e nas mais de cem missões proporcionadas por sua ainda inigualável performance, o objetivo do programa fracassou. Cada voo com o Ônibus Espacial exigia a troca de quase toda sua superfície e boa parte de seus instrumentos, e custava a cifra astronômica de cerca de um bilhão de dólares.

Felizmente, as tecnologias que possibilitam as viagens espaciais são cada vez mais acessíveis, e a aviação civil avança muito rápido. As corporações começam a se interessar pelo espaço, que oferece muitas possibilidades de negócios: exploração de recursos naturais (cada vez mais em falta na terra e disponíveis em abundância inimaginável no espaço), acesso a atmosferas adequadas para determinados tratamentos médicos, colonização de luas e planetas, construção de redes e plataformas de comunicação, e toda sorte de estudos científicos. Mas o mais atrativo negócio até o momento é o mais simples: turismo.

A Virgin Galactic, do Grupo Virgin e do visionário Richard Branson, se prepara para realizar em 2012 os primeiros voos de seu programa de turismo espacial. Por duzentos mil dólares, quatrocentos turistas viajarão na sub-órbita da terra (mais de 100km de altura) por alguns minutos. Branson dá os primeiros passos para popularizar as viagens espaciais e inaugura uma nova era de exploração do espaço, movida não de forma centralizadora pelos governos, mas pelo dinamismo das entidades privadas.

Share
Categories: Análise Tags:

Capitalismo: a humanidade em seu auge?

October 21st, 2011 Bruno No comments

favelas1[1]

Há cerca de cem anos a humanidade iniciava um ciclo de guerras que, entre outras coisas, definiria a ideologia social, política e econômica de nosso mundo. Polarizações como o comunismo Soviético, o capitalismo Estadunidense e o nacional-socialismo Alemão lutavam pela ordem mundial. Um tempo, acima de tudo, cheio de ideologia e ideias – algumas terríveis. Hoje o facismo e o comunismo são páginas viradas, com exceção de pequenos núcleos de resistência, em sua maioria fracos e combalidos. O capitalismo, por sua vez, triunfa sobre os cinco continentes e até sobre um partido governante que se denomina comunista na China, responsável por índices de desigualdade sempre crescentes. Em todos os modelos econômicos do passado que falharam, sabemos apontar seus defeitos e falhas. O capitalismo passou a ser aceito como o melhor e único modelo. Contudo, livrando-se de nosso Zeitgeist por um instante e olhando o mundo de maneira ampla, com o incentivo das crises atuais que consomem as principais potências capitalistas, a pergunta é incômoda: o capitalismo fez do mundo um bom lugar para vivermos?

O maior problema em analisar o sucesso de sistemas econômicos é o desafio de separá-lo das intenções políticas de seus líderes. O comunismo, por exemplo, não foi visto no mundo em período de tempo expressivo sem ser acompanhado por um governo autoritário, mas o modelo não depende do autoritarismo. O capitalismo, por sua vez, não tem como exigência diferenças de renda abismais para funcionar, mas é o exemplo que sempre temos. Se considerarmos então que a diminuição dos conflitos armados no mundo e a espansão da democracia não estão necessariamente ligados ao modelo econômico capitalista, e sim à história dos rumos do mundo, poderemos julgar os fatos com maior lucidez.

Dessa forma, julguemos o capitalismo estritamente como o modelo econômico que é, medindo o mundo por suas conquistas econômicas. Em termos absolutos: um fracasso retumbante. Cerca de uma em cada quatro pessoas no mundo sobrevive com menos de $1,25 por dia, segundo o Banco Mundial – e isso se refere, obviamente, apenas aos extremamente miseráveis. Mas, novamente, o grande problema deste tipo de julgamento é seu caráter político. O mundo é pobre porque é capitalista ou porque é mal governado?

O topo da lista dos países com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano da ONU é composto por sociedades extremamente igualitárias, que possuem participação quase paternalista de seus governos na sociedade, provendo a maior parte dos benefícios básicos gratuitamente à população, especialmente aos com menor renda. Países considerados socialistas. Situação complementamente diferente dos EUA e outros países capitalistas ocidentais, que apesar de extremamente ricos são desiguais e sujeitos a grandes flutuações na estabilidade econômica, já que a liberdade para fazer e perder dinheiro é maior.

Em que ponto separamos em nossas mentes o ideal do comunismo do ideal da baixa desigualdade social? O ideal do comunismo da declaração universal dos direitos humanos? O ideal do comunismo do ideal de um povo mais consciente e participativo do poder? Comunismo, socialismo, capitalismo consciente, chame como quiser; todos querem seus países com os índices sociais e a democracia de Suíças e Dinamarcas.

A crise norte-americana e sul-europeia deixa claro o mundo em que não queremos viver. Um mundo onde a ganância de poucos sobressai o bem-estar da maioria, não por falha administrativa ou corrupção, mas muito pior: por princípio ideológico. Hoje, 2% da humanidade detem metade das riquezas do planeta. É uma classe alta com muito poder, em sua maioria irresponsável, sem criatividade e consciência para agir em prol do desenvolvimento da humanidade. Ou devemos acreditar que o auge do ser humano moderno é o plutocrata, conformado, isolado e alheio às desgraças do mundo?

Share
Categories: Análise Tags:

TED: Grandes ideias em poucos minutos

September 10th, 2011 Bruno No comments

Grandes mentes, grandes ideias e o tempo máximo de 18 minutos para falar. Este é o conceito do TED, que ocorre todos os anos nos EUA desde 1984. Já passaram pelo evento grandes nomes como Bill Gates, Al Gore, Bill Clinton e Larry Page, somando suas apresentações ao arquivo de quase mil vídeos do TED, todos disponíveis gratuitamente no site oficial e traduzidos para múltiplos idiomas.

 

image

image

Share

Andy Serkis na vanguarda do cinema digital

September 4th, 2011 Bruno No comments

imageComo em todos os filmes que envolvem muitos efeitos digitais (CGI, acrônimo para Computer Generated Imagery), os atores de O Senhor do Anéis estavam acostumados a atuar olhando para o nada, imaginando personagens que mais tarde seriam criados pelos artistas digitais. O segundo filme da trilogia, contudo, introduzia uma complexidade adicional para o trabalho da WETA Digital, empresa responsável pelos efeitos especiais: o personagem digital era Gollum, que ao contrário de dragões gigantes possuia características muito humanas. Peter Jackson, diretor do filme e fundador da WETA Digital, não estava seguro da produção totalmente digital do personagem, cuja “atuação” era por demais complexa para ser criada do zero. Para a perplexidade do elenco do filme, Jackson introduziu no set de filmagem um ator desconhecido, em vestes estranhas, que não estaria na produção final do filme mas com quem todos tinham que atuar. Era uma longa estrada para Andy Serkis, o Gollum invisível de O Senhor dos Anéis.

Aproveitar movimento humano real para animar personagens é uma técnica cuja origem remonta a pioneiros como Walt Disney e tem sido utilizado há cerca de duas décadas para desenhos e filmes com CGI. Atualmente, o estado da arte é a Motion Capture (Captura de Movimento), que reproduz os movimentos do ator para o computador através de um traje especial, permitindo que os movimentos sejam reproduzidos por um personagem criado digitalmente. Até O Senhor dos Anéis, o efeito era relegado a filmes de baixo orçamento e grande ambição, principalmente porque a tecnologia disponível impedia a criação de personagens digitais realistas. A WETA Digital, contudo, provou para os produtores que era possível criar um Gollum verossímil.

image

Andy Serkis, britânico de ascendência Armênia, vinha de anos de atuação em pequenos papeis no cinema e no teatro, agarrando com força a oportunidade oferecida por Peter Jackson. Seus pares, contudo, não estavam convictos de sua importância no filme, irritando-se com a necessidade de interagir com um ator que nem apareceria no filme. Serkis venceu através de humildade e resiliência inabaláveis. Logo ficou claro para todos como Serkis não apenas era uma excelente referência durante a gravação das cenas, contrapondo-se ao difícil exercício de imaginação, como também agregava uma alta carga dramática ao personagem, através de sua instigante atuação.

image

Após Gollum, Serkis se envolveu com alguns papeis menores no cinema, como o assistente de Nikola Tesla em O Grande Truque, mas o que chama atenção é a criação de uma nova função no cinema que Serkis lidera. Através de outras atuações similares a de Gollum, como em King Kong, onde interpreta o personagem-título, como Caesar em Planeta dos Macacos: A Origem, e ainda como Capitão Haddock na trilogia 100% digital Tintin, de Steven Spielberg e Peter Jackson, ainda em produção, Serkis é protagonista fundamental de uma nova era do cinema.

Infelizmente, Serkis ainda não ganhou um Oscar. É frequente controvérsia na Academia se o homem por trás de grandes atuações de personagens digitais é elegível às premiações. Mas Serkis é resiliente e humilde, e enquanto o debate não progride, ele se consagra como o maior especialista e genuíno patriocinador de uma técnica que deve conquistar uma parte cada vez maior do cinema.

image

Share
Categories: Análise Tags: ,

O Tempo Áureo dos Hackers Voltou

July 14th, 2011 Bruno No comments

 

A década de 90 foi a década dos grandes hackers. Do lado produtivo e saudável, Linus Torvalds desenvolvia o Linux, sistema operacional de grande qualidade – e gratuito. Do lado bem menos produtivo, mas inofensivo, celebridades arruaceiras e brilhantes como Kevin Mitnick e Phiber Optik invadiam sistemas de importância mediana e fazendo pouco estrago. Do lado escuro da força, hackers como o russo Vladimir Levin desviavam milhões de dólares de entidades financeiras.

A década passada foi bem menos interessante para todos os hackers, ou eles agiram em um silêncio tal que não chamaram atenção. A década de 2010, ao que parece, será muito mais agitada. Os hackers estão de volta. Todos os tipos deles.

No final do ano passado, o Wikileaks ganhou notoriedade mundial. O controverso e democrático site de Julian Assange divulga informações sigilosas vazadas de empresas e governos, preservando a identidade dos contribuidores. A ação mais importante, vinculada aos escândalos militares norte-americanos, foi realizada em parceria com os principais jornais do mundo. O trabalho de Julian Assange talvez tenha seu lado negativo, como afirmam os críticos, mas é de indiscutível valor e importância. Assange é um hacker do bem.

Por outro lado, no início deste ano, grupos identificados como Anonymous e LulzSec invadiram dezenas de sites e divulgaram informações pessoais de milhares de usuários. Entre os sites afetados estão Sony Incorporation, Citibank e Apple. Os mesmos grupos foram responsáveis por parte dos ataques a CIA, sites do governo norte-americano e brasileiro e a indústria de armas Lockheed Martin. Todos os ataques foram amplamente divulgados pelo grupo, e até agora não há prisões confirmadas.

Segurança e gestão da informação são temas de crescente importância. Seja para usuários que não devem utilizar as mesmas senhas em sites diferentes, seja para corporações que devem investir mais em proteção; quanto mais informação e serviços disponíveis na internet, maior a preocupação em segurá-los.

No mundo cibernético, como no mundo real, não há segurança total. Os ataques hackers, contudo, evidenciam a necessidade de maior controle e investimento em segurança e auditoria de sistemas. Enquanto os governos ainda desenham seus primeiros centros de segurança cibernética, os ataques continuam.

Share
Categories: Análise Tags:

Uma Internet customizada demais

May 28th, 2011 Bruno No comments

É crescente a demanda por personalização dos sites e serviços da internet às necessidades e preferências dos usuários. Blogs sumarizam tópicos específicos, os resultados de buscas levam em conta as buscas anteriores, as sugestões de compras são realizadas de acordo com nosso histórico. Este nível de personalização proporciona uma experiência mais rápida e direta do usuário com a internet, mas também limita seu horizonte de conhecimento.

Ao filtrar o conteúdo que consumimos de maneira cada vez mais granular e completa, distanciamos nosso contato com escolhas diferentes. Por exemplo, uma revista ou um jornal impresso obriga a mínima atenção a todo seu conteúdo, enquanto nos blogs, feeds e outros meios específicos e especializados, temos acesso somente ao que já temos como desejado e seguro. Evitar a informação que não nos interessa é um conforto e uma praticidade – e também uma limitação de nossos horizontes.

Share
Categories: Análise Tags:

A morte de Bin Laden e a máquina de guerra norte-americana

May 12th, 2011 Bruno No comments

Neste maio os americanos saíram às ruas para comemorar, em manifestações dignas dos momentos mais emocionantes e óbvios do cinema-catástrofe de Hollywood.

Barack Obama discursou em rede nacional: Bin Laden está morto.

Dez anos após o famigerado 11 de Setembro, centenas morreram em outros atentados terroristas pelo mundo atribuídos a Al Qaeda, e milhares morreram pelas mãos do exército norte-americano em diversos países, de civis a líderes da Al Qaeda, com uma diferença: a ligação da Al Qaeda aos atentados é sempre envolta em dúvidas, mesmo no fatídico episódio do 11 de Setembro, enquanto as guerras e operações norte-americanas, e suas vítimas, tem responsáveis claros.

Há muitas teorias da conspiração ligadas ao 11 de Setembro, e as informações esparsas e incompletas sobre a morte de Bin Laden geram por sua vez outras teorias. Analisar as verdades e mentiras destes episódios é como inferir o resultado de um jogo de xadrez olhando apenas metade do tabuleiro.

Verdade ou mentira, conspiração ou não, não deixa de saltar aos olhos alguns frutos do 11 de Setembro. US$600 bilhões foram gastos em guerras e operações militares. O Iraque foi invadido sem aprovação da ONU e com base em provas falsas. George W Bush foi reeleito. O “Ato Patriótico”, que garante ao governo norte-americano o direito de esmiuçar a vida de qualquer cidadão para evitar ataques terroristas, foi aprovado. Os norte-americanos invadiram o Paquistão para caçar Bin Laden, sem autorização do governo paquistanês. E a lista continua…

Enfim, os militares, acionistas de empresas de tecnologia militar, toda a cadeia de produção que vende a estas empresas, os numerosos governistas que possuem ações e investimentos em empresas militares, o governo Bush, e muitos outros norte-americanos se beneficiaram do ocorrido. A população, por sua vez, só perdeu.

Share
Categories: Análise Tags:

22ª Pesquisa Anual do Uso de TI da FGV

May 2nd, 2011 Bruno 2 comments

A FGV conduz uma pesquisa sobre TI com médias e grandes empresas brasileiras todos os anos. O trabalho consolida e deduz dados sobre tecnologia nas empresas e residências.

Neste ano, como não poderia deixar de ser, vemos na pesquisa a continuada ascenção da tecnologia em nosso país, acompanhando o crescimento da economia e da adoção tecnológica.

image

image

image

image

image

image

image

Share
Categories: Análise Tags: , , ,

Frágil Lenho

May 2nd, 2011 Bruno No comments

Frágil Lenho - Carlos Heitor Cony

da Folha

Share
Categories: Análise Tags: