Vivendo a vida como um avatar

17, fevereiro, 2010 Bruno Sem comentários

James Cameron, o diretor de O Exterminado do Futuro e Titanic, levou quase dez anos para viabilizar e desenvolver seu Avatar, sucesso de bilheteria e crítica que reinaugura a glória da ficção científica no cinema, uma vez que o filme é o primeiro do gênero a receber um Globo de Ouro desde E.T., de Spilberg. Utilizando-se dos efeitos mais caros da história e de sua habilidade madura de conduzir linhas narrativas, Cameron construiu sua obra em cima de uma história simples, sem fórmulas desconhecidas e para todos os públicos, com a qual é possível se emocionar e identificar, e difícil se decepcionar. Curiosamente, esta mesma história modesta e cativante utiliza-se de conceitos tecnológicos extremamente avançados e incorre em questões filosóficas complexas e cuja presença em nosso cotidiano é apenas recente. Desta forma, Avatar nos convida a reflexões metafísicas da forma mais despretensiosa possível.

Na clássica trama do soldado em conflito, o protagonista Jake se infiltra na população alienígena Na’vi para coletar informações do planeta Pandora, onde há um minério de altíssimo valor para a humanidade – que continua, neste futuro, confinada a seu planeta moribundo e sem recursos. Para tanto, Jake se “conecta” a um corpo Na’vi produzido por engenharia genética, utilizando seu avatar para interagir com os alienígenas. Durante sua jornada, Jake se apaixona pelo povo alienígena, e presumidamente por sua nova condição física, que além de esbanjar maior força e agilidade que a de seu corpo humano, inclui as duas pernas saudáveis cujo controle Jake perdera na guerra.

Jake passa a se dedicar tanto a suas tarefas virtuais em seu segundo corpo, que seus cuidados mais básicos passam a ser ignorados, como a higiene e a alimentação, de forma muito similar ao que acontece com alguns usuários de computador e vídeogames. Por sinal, a ideia de que todos nós, pouco a pouco, estamos abdicando do real e vivendo mais no mundo virtual, utiliza a tecnologia como o arauto da alienação, mas esta é somente mais uma novidade em um universo de opções já antigo, cuja extensão é limitada somente pela vontade do observador; as drogas alucinógenas, os programas de reality show, e até mesmo romances e meditação podem ser considerados formas de fuga. A tecnologia, contudo, promete uma revolução: alienação em grande estilo.

Quando as tecnologias necessárias para simulação da realidade ao cérebro estiverem disponíveis, e eventualmente estarão, um mundo extraordinário e assustador de possibilidades nascerá. É de se esperar que, à altura do desenvolvimento de tais tecnologias, a inteligência artificial, a computação gráfica e o poder de processamento estejam bastante avançados, propiciando o nascimento de mundos virtuais com os quais poderemos interagir com a qualidade do mundo real ou similar. Em mundos conectados, similares ao software de Matrix, será possível realizar encontros “pessoais” sem a necessidade de cruzar quaisquers distâncias. Por que não ser um pouco mais bonito, magro e forte neste mundo? E que tal ter acesso total, confidencial e seguro aos prazeres da carne, sem efeitos colaterais? Em um lugar que não existe, não há acordos ou responsabilidades – um desafio para a ética e a moral.

Enquanto a tecnologia se desenvolve, os equipamentos terão acesso a locais do cérebro que não temos normalmente, e a realidade virtual se tornará uma realidade estendida, mais interessante, colorida e sensível que a própria realidade – uma loucura permitida pelas maravilhas das portas da percepção.

Categories: Análise Tags: ,

2009, o ano da busca pelo meio ambiente

17, janeiro, 2010 Bruno Sem comentários

2009 foi um ano de acontecimentos expressivos para o mundo, e de uma acentuada mas ainda fracassada busca pelo equilíbrio do homem com o meio-ambiente. Na COP-15, conferência internacional sobre meio-ambiente realizada em Copenhague, os líderes mundiais se reuniram mas não conseguiram chegar a metas promissoras. O Brasil foi o destaque do evento – graças ao presidente que cobrou e reclamou da falta de ação de alguns países. 

 

Em Washington, Obama teve um elogiado início de governo, fazendo escolhas certas em seus ministérios e anunciando o retorno de soldados do Iraque. No decorrer do ano, contudo, as críticas a Obama ganharam espaço devido a continuada inércia da economia americana e ao anúncio de envio de mais soldados ao oriente médio. Em Dezembro, Obama ganha um questionado Nobel da paz, que declara encarar como “um convite para agir“.

 

2009 foi palco da reeleição e da tomada do poder por consagrados populistas. Em Honduras, o presidente Manuel Zelaya sofreu um golpe de estado e foi expulso do país, retornando escondido para a embaixa brasileira para assistir à forçada eleição que culminou na vitória de um oponente. No Irã, Ahmadinejad se reelege sob fortes protestos de fraude e uma grande onda de violência e repressão no país.  Na Venezuela, Chávez conquista o direito à reeleição ilimitada, e por fim, na Bolívia, Evo Morales é reeleito e seu partido ganha ainda mais força no congresso.

 

No Oriente Médio, Israel finaliza uma de suas maiores ofensivas contra os palestinos e é acusado de crimes de guerra. Enquanto isso, a Coréia do Norte executa testes com mísseis nucleares, provocando a ONU e seus inimigos. Novamente no Irã, a polêmica da energia atômica continua com o debate sobre a construção de centrífugas e usinas nucleares.

 

Enquanto o mundo tentava se recuperar da crise mundial de 2008, em meio a grandes falências e números desanimadores, o vírus H1N1 fez mais de dez mil vítimas, assustando – mas provando-se mais inofensivo que a gripe comum.

 

2009 entra para a história como um ano de grande preocupação com o aquecimento global e o meio-ambiente, todavia sem ações ou metas significativas estabelecidas. É fato que com a economia tão frágil e debilitada, os EUA e a Europa não vão se comprometer a reduzir o crescimento em prol do meio-ambiente.

Categories: Análise Tags:

2009, o Ano do Brasil

9, janeiro, 2010 Bruno Sem comentários

Este foi um ano de acontecimentos memoráveis para o Brasil, e de sua consagração como uma potência política e econômica. Pecando tanto em áreas tão básicas como saúde e educação, o país ainda está longe do primeiro mundo, amputado também pela absurda carga tributária e pela pesada e corrupta máquina do governo, mas aproximou-se mais do que se espera de uma democracia capitalista moderna e soberana.

Na esteira da crise iniciada no ano interior, 2009 foi o palco de assustadoras e impressionantes falências de grandesOlimpíadas 2016 - Lula empresas de todo o mundo, e de uma recuperação tímida dos países mais afetados pela crise. O Brasil, por sua vez, experimentou breve ressaca da marolinha, destacando-se como um dos países mais resistentes à crise – se não o mais resistente.

Lula bateu mais recordes com seu índice de popularidade, apesar de atitudes e ações controversas. No setor privado, o presidente criticou em público, ameaçou nos bastidores e finalmente convenceu o presidente da Vale, Roger Agnelli, a investir mais no mercado interno. 2009 também foi o palco da polêmica em torno de Cesare Battisti, o ex-terrorista de esquerda italiano que ainda está exilado no Brasil, e cuja presença no país é favorecida pelo presidente e pelo Ministro da Justiça, Tarso Genro. Lula também abrigou o presidente deposto de Honduras, Zelaya, na embaixada brasileira – resistindo à pressão de golpistas e protestantes do país.

2009 foi, acima de tudo, um ano de grandiosidade para o Brasil, onde foram iniciadas as negociaçãoes para a maior e mais importante compra militar da história recente do país. O Brasil também conquistou as olimpíadas de 2016 para o Rio de Janeiro e viu fusões e aquisições darem origem a poderosas multi-nacionais tupiniquins, como a BrasilFoods, o Itaú Unibanco e o Pão de Açúcar-Casas Bahia.

Categories: Análise Tags:

2 anos de blog

7, janeiro, 2010 Bruno Sem comentários

Há 2 anos atrás, iniciei o b:rodrigues log, meu primeiro blog. Dedicado inicialmente a tecnologia e desenvolvimento de software, era atualizado com apenas um artigo por mês, conquistando modestas 100 visitas mensais em seu primeiro ano de atividade.

Em 2009, reinaugurei o blog com o formato atual, este Tecnocrata, e escrevi 29 artigos. A média de visitação acompanhou minha dedicação, atingindo e mantendo a média atual de quase 3000 visitas mensais!

Como sempre, manter um blog part-time tem sido um grande desafio. Mesmo assim estabeleço, para 2010, a meta de um post semanal – alguns menores, talvez – e quem sabe, dobrar minhas visitas?

Categories: Análise Tags:

A revolução das mídias: Jornalismo

27, dezembro, 2009 Bruno Sem comentários

Nos últimos anos, em especial nos países de primeiro mundo, os jornais sofrem uma brutal queda em suas vendas e audiência. Os jornais impressos, principalmente, estão sendo esmagados pelos novos veículos de comunicação, como blogs, microblogs e sites de notícia especializados. No Brasil, este movimento é menos acentuado, devido em grande parte à migração de muitas pessoas a classes sociais mais altas, fato que estimula o consumo até mesmo de jornais. As próximas décadas, contudo, tendem a ser cada vez mais negras para os antigos formatos de mídia, dominadas por gerações que ignoram por completo a existência e a importância de tais veículos.

De forma similar à morte das gravadoras de música, esta é uma mudança a qual as editoras de revistas e jornais terão de se adaptar se quiserem sobreviver.  Existe, entretanto, um problema conceitual nesta revolução midiática. Os novos arautos das notícias, os sites indepentes, não produzem seu próprio conteúdo desde a fonte, em sua maioria. Em vez disto, apenas replicam notícias coletadas de diversas fontes. A produção de notícias como conhecemos hoje depende de estruturas e recursos que os sites independentes não possuem, como fontes privilegiadas por tradição e reputação, fontes remotas e sucursais, etc. Entramos assim em um problema financeiro: Os consumidores trocam a mídia privada convencional pela mídia digital independente. A segunda é consumidora da primeira, mas não em volume suficiente para mantê-la. No pior cenário possível, a primeira deixa de existir e a segunda fica sem matéria prima, e é o fim do jornalismo profissional escrito, ou sua redução ao mínimo. Outro possível desdobramento é a sobrevivência exclusiva do jornalismo nos braços de mídia de grandes empresas pontocom, como o Google e a Microsoft. Em qualquer um dos casos, o jornalismo profissional sai perdendo.

Categories: Análise Tags: ,

Admirável Mundo Novo

8, novembro, 2009 Bruno Sem comentários

No ano de 1932, Aldous Huxleu publicou seu Admirável Mundo Novo, o romance que consagraria o autor como um dos grandes escritores ingleses. Cientificamente revolucionário, o livro descreve uma sociedade futurística dominada pela lógica, um estado tecnocrata perfeito onde não existem emoções expressivas e as pessoas são condicionadas a um estado permanente de harmonia e eficácia. Quase trinta anos após o lançamento do livro, o autor trabalhou em sua edição complementar Revisited, na qual mencionou como o mundo tinha se tornado parecido com sua distopia em ritmo muito mais rápido do que ele previa. Quase quarenta anos já se passaram desde então, e o ritmo parece só aumentar. 

Na ficção, o mundo é controlado por um único estado totalitarista, conhecido como Estado do Mundo. Através de uma hipotética manipulação dos óvulos, que muito se assemelha com algumas possibilidades da manipulação genética, os cidadãos são concebidos de forma artificial e industrial, divididos e moldados para compor castas sociais com objetivo e capacidade pré-definidos. Cada casta, logo, é apta a desempenhar um papel específico e está aberta a um nível de informação pré-determinado, de forma muito parecida com o que acontece em nosso mundo atual, onde praticamente todo o acesso à cultura e à educação é segregado entre as classes sociais.

A dor e o sofrimento não existem no Estado do Mundo. Completamente apartadas do conceito de família, as pessoas não são apegadas a ninguém, tendo a morte importância mínima. Essa, acontece impreterivelmente aos sessenta anos, sendo que a velhice não se manifesta durante estes anos. O sexo hetero e homossexual é estimulado desde a infância como um hábito meramente social e recreativo, e mesmo as mais inesperadas oscilações da alma humana podem ser tratadas com a Soma, droga sem efeitos colaterais que proporciona uma sensação de relaxamento e tranquilidade ao seu usuário. Novamente, as sociedades modernas se assemelham cada vez mais ao Estado do Mundo nestes quesitosA família exerce papel cada vez menor na vida do indivíduo, o sexo (inclusive homossexual) é fenomêno cada vez mais efêmero, e as drogas estão presentes em todos os níveis da sociedade.

A maior e mais assustadora semelhança dos mundos se dá, contudo, no modo de vida automatizado e robótico, guiado pelo consumismo extremo e regido pelos princípios de Henry Ford – otimizado, eficiente e produtivo. Desta Laranja Mecânica do romance, só escapam as pessoas que não se adaptaram ao sistema, os “selvagens”, homens deixados à própria sorte e às próprias leis nas áreas denominadas “reservas”. Resta contarmos com que o mundo real, em sua evolução em direção a Ford, guarde sua própria reserva, com o que sobrar de nossa humanidade como a conhecemos hoje.

Categories: Análise Tags: ,

Credos pseudo-científicos

18, outubro, 2009 Bruno Sem comentários

Entre as inúmeras religiões e filosofias criadas para tornar a vida do homem melhor, figura uma nova classe de crenças, das quais são membros proeminentes as franquias O Segredo e Quem somos nós?. Apoiados em pseudo-ciência e recortes de filosofias orientais, ambos prometem o sucesso e a riqueza – e seus autores estão se saindo muito bem nestes quesitos. Diferentemente das religiões clássicas, essas filosofias veem no homem o centro do universo, e se apoiam sem bom senso em conceitos científicos para embasar suas crenças.

A ideia de utilizar a ciência como pilar da religião não é nova. Fritjof Capra, físico misticista, publicou nas décadas de 70 e 80 os livros O Tao da FísicaO Ponto de Mutação. Nestes livros, Capra traça paralelos entre conceitos científicos e teorias místicas, abordando tópicos tão diversos como economia e medicina, sem qualquer respeito ao rigor científico. Entre os absurdos científicos cometidos por Capra, destaca-se a aplicação dos princípios de força de atração da natureza ao emotivo-psicológico dos homens, propondo nosso suposto poder de atrair “coisas positivas” através do “pensamento positivo” – segundo as leis da própria ciência.

Na franquia do filme Quem Somos Nós?, a Física Quântica é remontada por olhos leigos para sustentar o absurdo. O Princípio da Incerteza, que só pode ser aplicado a elementos de escala quântica, como elétrons, diz que o instrumento de observação influencia na medida das propriedades de um elemento. No filme, o princípio é demonstrado com uma bola de basquete, provando que podemos alterar o mundo como meros observadores – através do milagre da física quântica. O ridículo culmina na proposição de que os índios norteamericanos não teriam enxergado – literalmente – as caravelas de Cristovão Colombo pois nunca tinham visto objetos como aquele, sendo que seus cérebros não foram capazes de interpretá-lo. O filme se baseia em supostas evidências do fato, que na óbvia verdade não existem.

Alguns erros são cometidos, por vezes, até mesmo sem o apoio da pseudo-ciência, valendo-se de conceitos filosóficos como “os olhos do observador”, ideia que destaca como o mundo pode ser diferente para cada observador, já que cada um presta atenção naquilo que chama sua atenção. Para as novas religiões, este é mais um indício de que o mundo foi criado pela nossa mente, só existe na nossa mente, ou é alterado pela nossa mente. 

O problema não está nas ideias, mas sim no quase criminoso embasamento falso feito na ciência, que a propósito, não teria as ferramentas necessárias para provar as teorias mesmo que elas fossem verdade.

Categories: Análise Tags: ,

Steven Paul Jobs

20, setembro, 2009 Bruno Sem comentários

Steve Jobs

1955 foi o berço de grandes nomes da informática, como Bill Gates e Tim Berners-Lee, o inventor da internet. Foi também neste ano que um Sírio recém radicado nos Estados Unidos teve seu primeiro filho, rebento que ele ofereceria para adoção logo após o nascimento. Um casal californiano de sobrenome Jobs adotaria o bebê logo em seguida, batizando um futuro visionário e pioneiro do mundo da tecnologia - Steven Paul Jobs, ou apenas Steve Jobs.

Jobs ficou menos de um semestre na faculdade. Ele continuou, contudo, a participar das aulas de caligrafia, fato que rendeu aos computadores modernos as fontes como as conhecemos hoje. Após algum tempo de trabalho na Atari e um retiro espiritual na Índia, regado a LSD e budismo, Jobs retornou para os EUA e fundou a Apple Computers com seu amigo Steve Wozniack, então engenheiro da Hewlett-Packard e hacker de eletrônicos.

Em seus primeiros anos, a Apple teve uma ascenção lenta mas significativa no comércio de computadores. Jobs era um líder instável e obcecado pela perfeição, egocêntrico e agressivo. Em 1983, inapto na disciplina da administração, Jobs contratou o então presidente da Pepsico para dirigir a Apple, com a frase histórica: “Você quer passar o resto de sua vida vendendo água com açúcar para crianças, ou quer uma chance para mudar o mundo?”. Concedendo mais poderes que do que devia ao seu novo presidente, Jobs foi expulso da Apple após dois anos, em parte por causa do fracasso de vendas do computador pessoal Lisa, projeto de sua responsabilidade.

Nos anos que se passaram, Jobs criou uma nova empresa de computadores, a NeXT. Seu NeXTcube inaugurou conceitos inovadores na indústria, e apesar do custo proibitivo, seu sucesso foi garantido em parte do mercado. Além disso, Jobs fundou o estúdio de animação Pixar, responsável pelas principais e primeiras animações de longa metragem, como ToyStory, Os Incríveis e Monstros. A Pixar foi adquirida pela Disney, tornando Jobs seu maior sócio. Desta vez, contudo, Jobs estava mais preparado e equilibrado, culminando na compra da NeXT pela Apple em 1996 e no retorno do fundador para sua própria empresa.

Os anos seguintes viram uma profusão de produção artística-tecnológica de Jobs, dos computadores iMac ao iPod e o iPhone, produtos elitizados com a vanguarda perfeccionista de Jobs, enfim nos eixos de produção do mercado.

Categories: Análise Tags:

UAVs e HomeWar

6, setembro, 2009 Bruno Sem comentários

Na contínua caçada ao Taleban, os EUA dispõe de um recurso tecnológico que vem sendo empregado de forma cada vez mais extensa: os UAVs, ou Unmanned Aerial Vehicles (Veículos Aéreos Não Tripulados). Apenas neste ano, a mídia registrou 365 vítimas letais dos UAVs no Paquistão, país onde a guerra contra o Taleban acontece com mais intensidade. Entre estas vítimas estariam Saad Bin Laden, um dos filhos de Osama Bin Laden, e Baitullah Mehsud, um dos principais líderes do Taleban no Paquistão.

Alguns UAVs são utilizados apenas para vigilância, como o Global RQ-4, que permite detectar movimentos em um raio de 100 kilometros e visualizar locais a grandes alturas - com qualidade gráfica de poucos metros. Neste tipo de operação de vigilância, alvos podem ser monitorados com precisão e sem qualquer visibilidade do UAV, mesmo em céu limpo. Já os UAVs de combate, como o MQ-1 Predator, também carregam mísseis e outros artefatos bélicos. Apenas deste modelo, o exército estadunidense dispõe de quase 200 unidades. Helicópteros também entraram para o arsenal não tripulado norte-americano com o Boeing A160T Hummingbird, um equipamento inovador que supera a capacidade de todos os helicópteros atuais, voando com autonomia de 24 horas e até 30.000 pés de altura (10.000 pés a mais que o normal).

Os planos para o futuro dos veículos não tripulados são grandes. Um documento do departamento de defesa estadunidense cogita um futuro onde nenhum avião será tripulado, e concentra seus investimentos neste sentido. Entre as melhorias desejadas, a DARPA abriu um concurso para o desenvolvimento de uma nova tecnologia chamada Vulture, que permitirá que UAVs equipados com painéis fotovoltaicos se estabeleçam acima das nuvens e planem durante cinco anos, podendo ser acionados quando necessário e não precisando pousar.

Os UAVs estão entre os robôs mais modernos da atualidade, e inauguram uma nova fase no modo de fazer guerra. Seus operadores encontram-se, muitas vezes, há milhares de kilometros do campo de batalha, operando suas armas como vídeo-games – modelo que pode se converter até mesmo em um tipo de HomeOffice (ou HomeWar?), o que seria uma obra prima e doentia da excelência militar técnica capitalista.

Categories: Análise Tags:

Milagres naturais – Parte 2: Seleção Natural e Evolução

23, agosto, 2009 Bruno Sem comentários

A seleção natural explica como os seres humanos evoluíram de organismos unicelulares à espécie dominante do planeta. É uma teoria brilhante e simples a qual estamos acostumados como cidadãos do mundo contemporâneo, mas que durante uma longa era escura da humanidade pareceria – e pareceu – absurda. Darwin, após formulá-la, engavetou suas ideias durante décadas. O mundo de então, a começar pela sua esposa, baseava-se ainda nos princípios criacionistas, isto é, nas idéias do Gênesis. A espera e a indecisão para a publicação definitiva de sua obra prostrou-se de tal maneira em sua vida a ponto de deixá-lo doente. Até que, ao perceber que outro cientista da época estava prestes a publicar uma teoria semelhante a sua, Darwin enfim publicou A Origem das Espécies, consagrando-se como o pai da seleção natural.

Outros pensadores e cientistas anteriores a Darwin também chegaram a conclusões similares as suas, notavelmente Aristótoles, cerca de 2000 anos antes de Darwin. A bem da verdade, a seleção natural é óbvia. Uma sociedade como a Grega, cujo apego às crendices foi – ao menos em tempos – pouco danosa ao homem, e cujo respeito à razão e à lógica tomaram a frente do temor aos deuses, foi o bastante para permitir a um grande pensador a percepção do óbvio. Os séculos que se seguiram, dominados pelo medo e pela ignorância, cercearam a inventividade humana, desacelerando o progresso científico e castigando duramente grandes gênios de seu tempo. Darwin foi, então, um dos responsáveis pela evolução do mundo ocidental da época ao nosso, em que em boa parte predomina o bom senso.

A lógica da seleção natural não apenas dá a resposta para a origem dos seres vivos, mas também do mundo e do universo. A lei do acaso e da predominância do mais apto regem tudo que conhecemos, pintando uma face da natureza que pode nos parecer agressiva e impiedosa. Como a natureza desconhece sentimentos, é melhor chamá-la apenas de fria e calculista. Há, contudo, grande beleza nos mecanismos naturais. Como se diz, o fato de milhões de espermatozóides serem lançados a uma corrida cega pela sobrevivência, e apenas um alcançar a vida, é um evento espantoso e digno de admiração.

A evolução dos seres não é menos magnífica. Pequenas e lentas mudanças, no decorrer de milhares ou milhões de anos, redefinem ao sabor do acaso as espécies, através do imenso e complicado lego do DNA. Algumas dessas mudanças, casualmente, proporcionam aos seres vivos vantagens estratégias no complexo campo de batalha da vida – sobre um predador, sobre o ambiente, sobre seus adversários de procriação. A própria supremacia deste ser-vivo perpetua a mudança em sua espécie. Milagre da evolução natural.

Categories: Análise Tags: