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Arquivo de janeiro, 2008

Mudanças de Mentalidade da Microsoft

30, janeiro, 2008 Bruno Sem comentários

O ser humano tem uma inerente dificuldade em quebrar paradigmas. Na informática isso é facilmente observável, pois tudo é muito dinâmico.

A Microsoft sofre por faltas do passado até hoje, e a meu ver, muitas vezes injustamente. Uma das principais acusações é aquela da empresa monopolista e fechada. Quanto ao caráter monopolista, não sei se há muito que dizer. Toda grande corporação é obviamente monopolista, mas é difícil considerar a Microsoft um ícone do monopólio, afinal de contas, seu “crime” é praticado por todos: Comprar empresas menores e vincular a venda e distribuição de produtos novos com produtos existentes. A diferença é que ela faz isso melhor que a maioria.

Outra acusação comum é quanto à arquitetura fechada dos sistemas da empresa. Diferentemente do passado, contudo, a Microsoft tem mostrado uma mentalidade aberta há anos. O .Net foi a grande virada nesse sentido. Podemos enumerar como exemplo:

  •  O .Net Framework e o C# possuem especificações públicas ECMA.
  •  O Visual Studio .Net 2003 foi construído com a preocupação de gerar HTML compatível com diversos navegadores.
  •  Abertura do código-fonte da maior parte do Framework para consulta e depuração.
  •  Migração de COM+ para XML e SOAP.

Mas não é só no .Net que vemos esse tipo de iniciativa. Também podemos citar a recente notícia de que o Internet Explorer 8 seguirá rigidamente os padrões do W3C, a criação do site OpenSource CodePlex, a mudança de formato dos documentos do Office para XML, a iniciativa de maximizar a compatibilidade do PHP com servidores Windows, etc.

Como vemos, é clara a incursão da empresa num modelo de pensamento e atuação mais aberto. Só falta dar o braço a torcer.

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Web 2.0 Nua e Crua: Propósito

22, janeiro, 2008 Bruno Sem comentários

Alguns de fato acreditam que há uma revolução conceitual acontecendo na Web, e outros chegam até a afirmar que é uma nova democracia nascendo. A verdade é que em essência a Web 2.0 é um termo criado para vender mais. Desde livros e palestras até websites.

A internet trouxe uma gama de novas possibilidades excitantes, como a de virtualmente qualquer pessoa ter um Blog acessível do mundo inteiro. Contudo, isso não torna o mundo mais democrático. Nenhuma tecnologia que contribui com a distribuição e manipulação de informação torna o mundo mais democrático. O mundo é mais complexo que isso, e as contribuições geradas pela tecnologia são outras que as políticas ou democráticas. De qualquer forma, revolução ou não, essa possibilidade existe há praticamente uma década com o Geocities; não é preciso do Blogger por perto.

Quanto à revolução das novas tecnologias, não sei se há algo de tão especial acontecendo. Há muitas idéias interessantes como os Blogs, Wikis e Flickers, e conceitos como Tags e comentários, mas em sua maior parte são tecnologias antigas que vêm passando por aprimoramentos. Não há nada de especialmente revolucionário nesse movimento. Para citar Dvorak, isso é evolução natural, e não a revolução que as meninas da torcida organizada promovem.

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Web 2.0 Nua e Crua: Nascimento

22, janeiro, 2008 Bruno Sem comentários

A primeira vez em que ouvi falar sobre a Web 2.0, há alguns anos atrás, achei o termo sem sentido e estúpido. Discuti muito com algumas pessoas que gostavam da idéia, mas com o tempo acabei percebendo que essas discussões não chegavam a lugar algum. A Web 2.0 tem esse poder: É possível passar uma vida argumentando contra ou a favor dela e não sair do mesmo lugar. Por isso, acabei adotando uma postura mais amena, e passei a aceitá-la. Não como o fenômeno que é apregoado, mas como um termo. Essa, aliás, é a sua essência: Cada um faz do termo o que desejar.

John Dvorak foi quem me abriu os olhos sobre a falta de sentido do termo, com o artigo Web 2.0 Baloney. As seguintes palavras me cativaram: “Estamos vendo um clássico exemplo de vinho velho em garrafa nova”. Ora, era elementar! Nada havia realmente mudado na Web. Alguns websites e tecnologias, que tomavam forma há anos, foram empacotadas e vendidas como uma revolução. Isso me incomodou. O fato de o termo ter sido inventado em uma conferência da O’Reilly Media só me confirmava sua utilidade puramente marketeira.

Uma avalanche estranha começou e logo estavam todos falando em Web 2.0. A Info, como não poderia deixar de ser, não perdeu tempo e logo estava explorando o termo ao máximo: Matéria de capa, concursos e palestras. Inesperadamente, a O’Reilly Media decidiu que não dividiria o bolo, e anunciou um processo contra todos que usassem o termo. O público não encararou isso muito bem, e a decisão foi cancelada.

Tudo pelo dinheiro: Primeiro a invenção do termo, em seguida a patente da idéia, e por fim a concessão de uso.

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A Emergência de uma Nova Arquitetura de Serviços da Internet

7, janeiro, 2008 Bruno Sem comentários

Quarenta e cinco anos passaram desde a criação da primeira versão da internet. Nesse ínterim, inúmeras reformas conceituais tomaram forma na rede: de ferramenta de comunicação interna do exército estadunidense, à plataforma de comunicação global, mercado virtual e mesa de transações. Contudo, enquanto o modo de utilização da plataforma evoluiu em ritmo acelerado, a plataforma em si foi esquecida.

Há quase quinze anos, antes da chegada do Windows 95, a primeira versão do HTML foi criada. Desde então quatro atualizações principais foram realizadas em sua estrutura. Nenhuma, contanto, passou perto de suprir a constante e crescente demanda por novos tipos de serviços. Essencialmente, utilizamos o mesmo HTML de dez anos atrás, respaldado por tecnologias como JavaScript, Flash, e recentemente Ajax. Essas tecnologias são utilizadas para compensar, com maior ou menor sucesso, a falta de recursos do HTML.

Como conseqüência dessas lacunas deixadas pelos padrões do W3C, podemos enumerar pelo menos três problemas: Interface pobre, falta de padronização e problemas diversos no desenvolvimento. São questões conectadas. Em primeiro lugar, as próprias limitações da plataforma impedem o desenvolvimento de uma experiência rica com o usuário. Além disso, a falta de recursos avançados nativos acarreta no desenvolvimento de controles diferentes para cada site. O resultado é uma internet sem padrão.

Em vista da demanda, a Macromedia abriu mais portas no Flash para formulários e controles, e criou um produto dedicado, o Flex. Já a Microsoft, com uma grande oportunidade em mãos com o WPF, apresentou neste ano o Silverlight, tecnologia muito bem respaldada: O desenvolvimento é integrado com .Net.

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