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Arquivo de maio, 2008

A Qualidade do Software nas Empresas e o Desenvolvedor

16, maio, 2008 Bruno Sem comentários

Na maior parte das consultorias de informática de médio porte, a preocupação com qualidade de código é mínima. Mais do que um mero preciosismo, trata-se de uma questão prática: a qualidade do código produzido é inversamente proporcional a quantidade de problemas e retrabalho. O código despreocupado gera ameaças de segurança, bugs e lentidão. O cuidado e o zelo com a produção intelectual não apenas diminuem a incidência desses problemas, como também atestam a qualidade do software da empresa para clientes e parceiros.

Podemos enumerar facilmente os três pilares da qualidade de desenvolvimento de software: Em primeiro lugar, todos os desenvolvedores devem ser treinados na tecnologia que utilizam. Segundo, planejamento deve preceder todo o desenvolvimento. Por fim, todo desenvolvimento deve ser respaldado por um conjunto de padrões e melhores práticas que indiquem o melhor caminho a se tomar em pontos duvidosos. Estes são os itens básicos para assegurar uma qualidade mínima de código.

Durante o amadurecimento de uma empresa, mais cedo ou mais tarde acontecerá uma iniciativa, de cima para baixo, para resolver essas questões. Este é um movimento inequívoco e obrigatório, que acontece em função do aumento de problemas que vêm do crescimento da estrutura. Cabe, portanto, uma pergunta: Existe alguma razão para isso não ser levado a cabo mais cedo do que de costume? Para os desenvolvedores, que costumam ser os mais penalizados por esses problemas, é especialmente difícil entender porque que a empresa não pode tratar dessas questões mais cedo.

A resposta é muito simples: para a diretoria, enquanto os processos internos forem eficazes o suficiente para captar dinheiro do mercado e trazer lucro, não há problemas dignos de atenção. Com o aumento da produção, estes problemas começam a gerar buracos respeitáveis no orçamento. Além disso, os clientes de maior porte tendem a exigir maior qualidade e segurança. É neste momento que a empresa começa a mudar.

Será possível forçar a empresa a preocupar-se com essas questões antes do seu tempo natural, numa iniciativa de baixo para cima? É difícil, mas não é impossível. Cabe ao(s) desenvolvedor(es) a missão de apresentar para seus superiores um problema que eles não conhecem, e propor uma estratégia para solucioná-lo.

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A Revolução Musical e as Gravadoras

6, maio, 2008 Bruno Sem comentários

A indústria musical entrou num ciclo de revoluções que parece interminável. Cada novidade tecnológica muda a forma que ouvimos e compramos música, e a indústria balança. Até o momento, as gravadoras são as grandes e principais prejudicadas por esse movimento. Mas elas ainda não silenciaram. Pelo contrário, sua luta persiste cada vez mais furiosa.

Antes de entrar nos meandros dessa guerra, é importante entender quem é um de seus principais protagonistas (ou antagonistas, se preferir): A RIAA (Recording Industry Association of America). Composta por milhares de gravadoras estado-unidenses, incluindo as maiores do país, a RIAA defende os interesses do segmento e promove a comunicação entre as gravadoras. É também a responsável pelos famosos discos de platina e ouro dados aos artistas que alcançam um determinado número de vendas.

Em 1999, a RIAA processou uma empresa chamada Diamond Multimedia Systems, fabricante de um dos primeiros MP3 Player populares, o Rio. A empresa tentou usar um decreto que concerne regravação amadora de música para justificar o processo, mas a justiça deu a causa à Diamond. Além disso, a corte declarou que o aparelho estava em conformidade com o principal propósito do decreto: facilitar o uso pessoal de música; dando portanto um ultimato na RIAA.

Esta foi a primeira tentativa das gravadoras de frear as mudanças. Foi só o começo. Alguns anos depois, entre outras tentativas de barrar o progresso, a RIAA iniciou uma bateria de processos contra usuários norte-americanos domésticos de P2P, rádios on-line e até mesmo mecanismos de busca de música e outros sites. Essa batalha deprimente se estende até hoje em meio a apelações inacabáveis sobre o que se enquadra ou não na lei de Fair Use e outras discussões.

Desde o ano 2000, as vendas de CDs caem a cada ano nos Estados Unidos. O ano de 2007 foi especialmente chocante, apresentando uma queda na venda de mídia gravada de 20% em comparação ao ano anterior. O problema das gravadoras é que este segmento é o seu carro forte, e os novos modelos de negócio, como as vendas de faixas on-line, não compensam suas perdas.

Não dá pra parar a evolução. O modelo de negócio das grandes gravadoras está fadado ao fracasso. Seus golpes contra usuários e sites parecem tentativas desesperadas de espremer mais alguns dólares de uma indústria já vazia. É um cenário triste.

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