A Qualidade do Software nas Empresas e o Desenvolvedor
Na maior parte das consultorias de informática de médio porte, a preocupação com qualidade de código é mínima. Mais do que um mero preciosismo, trata-se de uma questão prática: a qualidade do código produzido é inversamente proporcional a quantidade de problemas e retrabalho. O código despreocupado gera ameaças de segurança, bugs e lentidão. O cuidado e o zelo com a produção intelectual não apenas diminuem a incidência desses problemas, como também atestam a qualidade do software da empresa para clientes e parceiros.
Podemos enumerar facilmente os três pilares da qualidade de desenvolvimento de software: Em primeiro lugar, todos os desenvolvedores devem ser treinados na tecnologia que utilizam. Segundo, planejamento deve preceder todo o desenvolvimento. Por fim, todo desenvolvimento deve ser respaldado por um conjunto de padrões e melhores práticas que indiquem o melhor caminho a se tomar em pontos duvidosos. Estes são os itens básicos para assegurar uma qualidade mínima de código.
Durante o amadurecimento de uma empresa, mais cedo ou mais tarde acontecerá uma iniciativa, de cima para baixo, para resolver essas questões. Este é um movimento inequívoco e obrigatório, que acontece em função do aumento de problemas que vêm do crescimento da estrutura. Cabe, portanto, uma pergunta: Existe alguma razão para isso não ser levado a cabo mais cedo do que de costume? Para os desenvolvedores, que costumam ser os mais penalizados por esses problemas, é especialmente difícil entender porque que a empresa não pode tratar dessas questões mais cedo.
A resposta é muito simples: para a diretoria, enquanto os processos internos forem eficazes o suficiente para captar dinheiro do mercado e trazer lucro, não há problemas dignos de atenção. Com o aumento da produção, estes problemas começam a gerar buracos respeitáveis no orçamento. Além disso, os clientes de maior porte tendem a exigir maior qualidade e segurança. É neste momento que a empresa começa a mudar.
Será possível forçar a empresa a preocupar-se com essas questões antes do seu tempo natural, numa iniciativa de baixo para cima? É difícil, mas não é impossível. Cabe ao(s) desenvolvedor(es) a missão de apresentar para seus superiores um problema que eles não conhecem, e propor uma estratégia para solucioná-lo.