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Arquivo de fevereiro, 2009

Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 2 (Prólogo)

26, fevereiro, 2009 Bruno Sem comentários

Falar sobre a humanidade como um todo exige um cuidado muito grande. É frequente, especialmente ao ocidental, a visão estreita e simplista do mundo. Nós, por exemplo, cidadãos de classe média e alta de países democráticos, precisamos ter em mente que somos privilegiados, e ultimamente uma exceção. A exceção que inclui, por exemplo, o parco 1/5 dos habitantes do planeta terra que tem acesso a um computador.

Algumas revoluções da tecnologia, em particular aquelas relacionadas à guerra, afetam a humanidade como um todo. Outras, cujo foco é o indivíduo e as comunidades, restringem-se a este contingente de “cidadãos de primeiro mundo”.

O maior fracasso da tecnologia é ser para poucos. O homem moderno médio anseia por coisas muito mais básicas que um iPhone.

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Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 1

15, fevereiro, 2009 Bruno Sem comentários

Na mitologia grega, Prometeus rouba dos céus e dá aos homens o segredo do fogo, sendo condenado por Zeus a ter seu fígado devorado por uma águia, dia após dia, pela eternidade.

Na mitologia hebraico-cristã, Adão e Eva comem um fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, perpetuando o pecado original e sendo expulsos dos jardins do Éden. Sua punição, discute-se, foi ainda pior que a de Prometeus: a mulher sofreria as dores do parto, e o homem ganharia o pão através do próprio suor.

Desde então, a humanidade logrou pouco avanço na área da obediência e da humildade perante os deuses.  Além do fogo e do sexo, o homem tomou para si o conhecimento dos instrumentos divinos mais espetaculares, como a filosofia, a arte e a ciência.

A ciência em especial, dá ao homem habilidades de grande arquiteto. Com a matemática, quintessência de todas as estruturas e padrões, elaboramos a linguagem da lógica e do raciocínio. Através da física e da química, alcançamos o entendimento das estruturas primordiais do universo. Pela biologia, por fim, alçamos nosso poder como espécie e ser-vivo no entendimento dos organismos vivos e do meio-ambiente que conhecemos.

A tecnologia, por sua vez, é o elo entre as ciências e as ferramentas necessárias para as grandes conquistas, como a engenharia genética, a biomedicina, a robótica e a nanotecnologia. É a grande chave para as questões proibidas ao homem, o incansável inimigo dos deuses.

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Arquitetura de Software: Como não fazer

10, fevereiro, 2009 Bruno Sem comentários

A função primordial de um arquiteto de software consiste em definir a melhor forma de desenhar e construir um sistema, isto é, como fazer. Há também outra disciplina tão importante quanto esta que é imprescindível ao arquiteto, mas muitas vezes é relegada ao esquecimento: como não fazer.

Em geral, o requisito-desafio de um projeto ou produto, que pode eventualmente causar problemas no futuro, é aquele que é por demais complexo ou aquele que envolve tecnologias desconhecidas ou nebulosas à equipe. Simplificar a tarefa numa primeira fase, ou postergá-la para uma próxima fase é a chave para uma evolução segura e progressiva da tarefa e seu entedimento. Em duas regras simples:

  • A arquitetura de um software deve começar pelo menor e mais seguro escopo possível, evoluindo gradativamente em recursos.
  • Se não há uma forma concisa, objetiva e confiável para desenvolver uma funcionalidade, é melhor não desenvolvê-la.

A receita de sucesso em desenvolvimento de software é operar sempre em solo seguro. Reduzindo o escopo e utilizando técnicas conhecidas, os riscos habitam um universo conhecido e gerenciável.

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