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Arquivo de março, 2009

A inevitabilidade do capitalismo e o milagre da tecnologia

22, março, 2009 Bruno Sem comentários

Abro um parêntese nestas mal traçadas linhas para dar lugar a um artista da palavra e do pensamento, Ferreira Gullar.

QUANDO DIGO acreditar que o capitalismo não morre, estou na verdade repetindo Karl Marx, com uma diferença, porém: para ele, como o capitalismo sai de cada crise mais vigoroso ainda, a única força capaz de liquidá-lo é a classe operária, por ele apelidada de “coveiro do capitalismo”. Como, a esta altura, a classe operária está noutra, fico só com a primeira parte da tese marxista: por si, o capitalismo não morrerá nunca.

Não estou afirmando que isso é bom ou ruim. Independentemente do que pensemos, a verdade é que o capitalismo, como planta daninha, vai se alastrando, tomando o terreno, trepando pelos troncos, sugando a seiva das árvores. Nada o detém, a não ser a sua própria voracidade, que o deixa, subitamente, sem chão e água. Aí, começa a murchar, a mixar, recuando até o ponto em que possa voltar a crescer. Como toda a sociedade depende dele, o próprio Estado lança mão de tudo para salvá-lo, com a aprovação de todos, particularmente dos trabalhadores que necessitam dele para ter emprego e salário. E começa tudo de novo.

O capitalismo não foi inventado por teóricos, nasceu espontaneamente do processo produtivo, movido pela iniciativa dos indivíduos que queriam melhorar de vida, produzir, vender, comprar, investir. Como as pessoas têm capacidades desiguais, nesse processo uns se deram melhor que outros, sendo que alguns poucos se deram muito melhor que a maioria. Por isso, o capitalismo expressa a desigualdade que caracteriza as pessoas e até mesmo as agrava. A ganância legitima toda e qualquer iniciativa, sem levar em conta que consequências terá na vida dos demais.
Enriquecer, concentrar riqueza em poucas mãos, é próprio do sistema que, em certas circunstâncias, beneficia muito a uns poucos, enquanto ignora a precária situação de muitos. O socialismo foi inventado para introduzir, no processo econômico, a justiça, a igualdade, eliminando o capitalismo. Não o conseguiu. O jeito, então, é tentar melhorá-lo, já que é impossível acabar com ele. Sonho com um milagre: que o desenvolvimento tecnológico, fazendo com que as máquinas produzam sozinhas numa escala ilimitada -já que não recebem salário, não dormem e não tiram férias- e com isso seria inevitável a distribuição gratuita do que foi produzido. A acumulação de bens chegaria a tal nível que as mercadorias perderiam o valor e o mercado deixaria de existir…

Excerto da página E13 do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de 22 de Março de 2009.

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Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 3: Engenharia Genética

14, março, 2009 Bruno Sem comentários

A engenharia genética não possui limites. É uma ferramenta à altura dos sonhos mais loucos do homem. A julgar pelas estruturas vivas que conhecemos – todas dependentes de genes – o domínio dessa tecnologia nos permitirá a criação de virtualmente qualquer tipo de forma de vida imaginável, inclusive seres meramente utilitários. Estes seres poderiam provar-se muito mais úteis que máquinas em diversas esferas, uma vez que a linguagem da vida é infinitamente mais poderosa e completa que nossas criações mecânicas e eletrônicas.

No aspecto moral, o mais interessante poder da engenharia genética é de obrigar o homem a repensar o que entende por vida. Ao passo que criarmos criaturas com um propósito e objetivo específicos, emergirá o entendimento da vida como uma fórmula matemática complexa, desprovida de alma e digna de pouco valor. A engenharia genética será o meio, logo, para a instrumentalização mor e final dos seres vivos enquanto objeto de estudo e ferramenta.

Na prática, a engenharia genética pode forçar a evolução da espécie humana, que alguns afirmam ter sido freada com a globalização. Estudos indicam que nossos genes são grandes responsáveis pela nossa expectativa de vida, e que a regeneração como observada nas estrelas-do-mar – que podem recriar-se por completo através de cada pequeno pedaço – é uma opção disponível aos mamíferos no menu genético. Além disso, a engenharia genética pode aprimorar o homem através dos atributos físicos, sensoriais e ultimamente as faculdades mentais. De que maravilhas seria capaz uma inteligência dez vezes superior a nossa?

O debate de como operar aprimorações na espécie é um desafio muito maior que a realização científica. A sociedade moderna, atada aos cordões de mentes retrógradas, quase não é capaz de aprovar sequer as pesquisas com células-tronco, relegando assim o conhecimento aos militares, que possuem recursos e permissão para o que bem entenderem.

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Windows Vista: Um fracasso de percepção – Parte 3: Windows 7

11, março, 2009 Bruno Sem comentários

O fato mais intrigante nessa história de ódio mortal ao Windows Vista, um sistema que é no mínimo competente e razoável, é a dramática inversão que a Microsoft está alçando com o Windows 7. Ainda em versão beta, a maior parte das pessoas parece mais do que otimista: convicta da qualidade do novo sistema.

Observo que muitas dessas opiniões não são embasadas em benchmarks ou testes, mas sim na mera publicidade. Principalmente na publicidade das revistas. Estas, que atualmente parecem progressivamente estúpidas e iguais, como que saídas de uma enorme linha de produção, alardeiam que o sucessor do Vista acabará com o maligno reinado de má-qualidade e problemas intermináveis da versão atual. Ou, conforme a revista Exame da primeira semana de março de 2009: “O novo sistema operacional da empresa, o Vista, que substituiu o Windows XP em 2007, teve um lançamento catastrófico com uma série de falhas e defeitos que emperravam as máquinas e impediam sua conexão com outros equipamentos”.

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