Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 4: Nanotecnologia
O controle da matéria é uma daquelas possibilidades que nos obrigam a repensar tudo. Um mundo onde a estrutura da matéria pode ser controlada tem valores e importâncias diferentes do que conhecemos hoje. A nanotecnologia é a chave para esta mudança.
Nanotecnologia é a combinação de ciências e ferramentas necessárias para a manipulação da matéria em escala nanométrica, isto é, numa profundidade molecular. As possibilidades oferecidas por esta tecnologia são muitas: criação de materiais em escala nano (nanomateriais) com propriedades que não encontramos na natureza; construção de nanorobôs e equipamentos minúsculos; e até mesmo a modificação arbitrária da matéria.
As possibilidades mais tangíveis da nanotecnologia alçam várias disciplinas a novos patamares, a começar pela produção de materiais com atributos que só podem ser obtidos através de manipulação nanométrica. Cientistas já produzem o material mais forte e flexível conhecido pelo homem, os nanotubos de carbono. As aplicações dos nanotubos são numerosas: roupas à prova de bala, edifícios ultra-leves, circuitos eletrônicos mais podersos e incríveis elevadores para o espaço.
Também os nanorobôs, ainda teóricos, teriam aplicações infindáveis, a começar pelos campos da medicina e da biologia: medicamentos inteligentes e multi-funcionais, micro-robôs cirurgiões e agentes inteligentes de monitoramento do corpo-humano. Suas aplicações militares também são muitas, como robôs espiões e robôs assassinos, ambos invisíveis. Sua possível indetectabilidade dariam um novo sentido à vida pública e aos relacionamentos dos humanos em sociedade. O estudo dos nanorobôs também sugerem alguns riscos como o hipotético efeito conhecido como Grey Goo: o fim do mundo causado por nanorobôs auto-replicantes, que fora de controle consomem toda a matéria existente.
Mas a mais poderosa, controversa e distante possibilidade reside na manipulação arbitrária da matéria, que permitiria a hipotética criação de qualquer material a partir do “nada”, isto é, a transformação de oxigênio em ouro, por exemplo. Esta tecnologia poderia ser empacotada em pequenas fábricas de realidade, que se amplamente divulgadas e progressivamente acessíveis, mudariam o que entendemos por riquezas e posses, possivelmente acabando com o sentido do acúmulo de poder e com as lutas por recursos.