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Arquivo de junho, 2009

William Henry Gates III

21, junho, 2009 Bruno Sem comentários

Bill Gates

William Henry Gates III, popularmente conhecido como Bill Gates, nasceu na Seattle de 1955. Seu pai era um advogado de renome e sua mãe diretora de um grande banco, ambos de ascendência Escocesa. Refutando os previsíveis desejos profissionais do pai, Gates se interessou por computadores já aos 13 anos, quando foi apresentado à linguagem de programação BASIC. Foi nesta época de sua juventude que conheceu Paul Allen, com quem fundaria a Microsoft alguns anos depois. O excelente desempenho escolar de Gates o levou a Harvard, mas seu crescente interesse por computadores e linguagens de programação tomaram o lugar da universidade.

Em 1975, aos 20 anos de idade, Gates fundou a Microsoft. Em seus primeiros cinco anos, a empresa alcançou relativo sucesso. De muitas formas, Gates já era um visionário, a começar pela aposta nos microcomputadores que ainda eram uma completa novidade. Mas foi só na década de 80, estabelecendo parceria com a IBM, que a Microsoft deslanchou. Gates comprou um sistema operacional simples de uma pequena empresa e o licenciou para a IBM utilizar no seu IBM PC, o computador pessoal da gigante azul. Nascia o DOS. Nos anos seguintes o computador pessoal da IBM estourou em vendas e levou a Microsoft de startup a um dos principais players do mercado. A decisão de Gates de não vender a patente do DOS para a IBM foi decisiva para o futuro da empresa.

Entre erros e acertos, Gates conduziu sua empresa ao status de uma das corporações mais rentáveis do planeta, e sua fortuna ao primeiro lugar do índice da Forbes. A jornada, contudo, não foi livre de percalços. Entre ameaças de divisão da empresa e multas devido às acusações de monopólio, Gates enfrentou os tribunais e saiu, no placar final, vencedor. Conhecido por sua temperança e dedicação nos negócios, Gates nunca se afastou completamente da supervisão da empresa.

Alguns afirmam que a Microsoft será apenas uma nota de rodapé nas futuras referências a Gates. Ele e sua esposa, Melinda Gates, são responsáveis pela Bill & Melinda Gates Foundation, instituição de caridade fundada em 1994. Focada em áreas tão diversas como aumento do nível escolar e cura de doenças simples em países pobres, é provavelmente a fundação de caridade de maior contribuição ao planeta de toda a história.

Atualmente, Gates está um pouco mais distante da Microsoft e focado em sua fundação de caridade. Seu objetivo é desenvolver uma maneira de estimular empresários a transferir dinheiro aos pobres de forma que obtenham retorno. Em 2007, Gates recebeu um diploma honorário de Harvard. No discurso de formatura, disse sorrindo: “pai, eu falei que eu terminaria a faculdade…”

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Expansão do Universo

11, junho, 2009 Bruno Sem comentários

Novamente, abro espaço neste blog para citar um grande cientista e colunista, Marcelo Gleiser.

Dentre as perguntas mais comuns [sobre a expansão do universo], aqui vão duas das mais populares: se o Universo está em expansão, o que existe do “lado de fora”? Mais Universo? A outra: se o Universo está em expansão, onde fica o centro? Somos nós o centro de tudo? (Deixo outras perguntas para futuras colunas.)

Para começar, o que significa dizer que o Universo está em expansão? Quando ouvimos isso, a imagem que imediatamente vem à mente é a de uma bomba explodindo: do centro da explosão, pedaços de matéria voam em todas as direções.

Essa imagem intuitiva -sem dúvida inspirada pelo nome “Big Bang”, dado ao evento que marca a origem do Universo- não tem nada a ver com a expansão cósmica! E causa muita confusão. Quando uma bomba explode, os pedaços voam pelo espaço, se distanciando uns dos outros cada vez mais. O espaço, palco onde ocorreu a explosão (e todos os outros fenômenos naturais), permanece fixo.

Com o Universo, a situação é completamente diferente. O espaço não é mais rígido. É ele que estica com a expansão, como se fosse uma tira elástica. Imagine, então, uma tira elástica bem larga, onde você distribui uma porção de moedas, que são as galáxias.

Esse é o nosso modelo do Universo, em duas dimensões. (A banda elástica tem duas direções, norte-sul e leste-oeste. O espaço em que vivemos tem três, as duas e uma para cima e para baixo. Mas é mais fácil visualizar as coisas só em duas dimensões.) No Universo-elástico, a expansão do espaço equivale ao estiramento da tira elástica. E o que ocorre?

As moedas (galáxias) são carregadas pela expansão da tira elástica. Elas não “voam” como pedaços de dinamite, mas pegam carona no espaço que vai estirando cada vez mais. À medida que isso ocorre, as galáxias vão se distanciando. A expansão do universo é uma expansão do espaço.

O que nos leva à primeira pergunta.

O que existe do “lado de fora”? A resposta é talvez surpreendente: não existe um lado de fora; mais espaço vai sendo criado à medida que a expansão vai ocorrendo. Vamos imaginar que nossa tira elástica é um balão de aniversário, uma esfera. No nosso Universo reduzido a duas dimensões, vivemos na superfície desse balão, em uma das moedas-galáxia, como amebas bidimensionais.

No balão, todos os pontos são equivalentes. O que vemos durante a expansão? Em 1929, Edwin Hubble (cujo nome foi dado ao nosso querido telescópio) mostrou que as galáxias se afastam umas das outras com velocidades que crescem com a distância.

Voltando ao balão, cada galáxia verá a mesma coisa, as outras galáxias se afastando. O balão vai esticando e crescendo, as galáxias vão se afastando e mais espaço vai aparecendo entre elas. Nesse Universo-balão, não existe um “lado de fora”; só existe o balão.

Isso é difícil de visualizar porque sempre insistimos de ver o balão de longe, “de cima”, de uma terceira dimensão. Para digerir isso, temos que imaginar que vivemos na superfície do balão, como amebas bidimensionais. Nada de pular pra cima!

Podemos agora responder à segunda pergunta: no balão, todos os pontos são equivalentes; a população de amebas de cada galáxia verá as outras se afastando dela e se achará o centro de tudo. A expansão do Universo não tem um centro; é a mais plena democracia geométrica, onde nenhum ponto é mais importante do que os outros. 

Excerto da coluna de Marcelo Gleiser na Folha de São Paulo do dia 7 de Junho de 2009, Mais!, página 9.

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A corrupção da sociedade

9, junho, 2009 Bruno 1 comentário

Desde o fim da ditadura, e em especial no atual governo, desmontes de esquemas de corrupção e denúncias de má-conduta de políticos são lugar-comum na mídia. A sociedade assiste atônita aos escândalos dos quais nenhum dos poderes sai ileso, em sua maioria crimes estabelecidos na década passada, e cujo recente crescendo desperta um uníssono e indignado “por quê?”

Por que, afinal, nossos governantes são tão corruptos, de forma assustadoramente generalizada como revelou o escândalo das passagens aéreas, de onde nem mesmo símbolos da corretude política como Eduardo Suplicy e Fernando Gabeira saíram ilesos?

Em primeiro lugar, é preciso entender o que é corrupção. Sempre que algo é desviado de seu percurso estabelecido, ou possui sua forma original modificada, é um exemplo de corrupção. O seu oposto, portanto, o que mantém o estado original das coisas, é a retidão. Nossos políticos são corruptos pois agem de forma diferente do esperado e pré-estabelecido, negociando seu entendimento do que é correto. E fazem isto pois não são íntegros o bastante para permanecer no curso que é esperado.

A princípio, pode parecer que todo político é imbuído de um desejo de assaltar sistematicamente a população. Contudo, o mais provável é que as más-práticas sejam adotadas de forma lânguida e conveniente, ao sabor da situação. Aos poucos, as pessoas se adaptam ao ambiente, e se não forem corretas o bastante, flexibilizam seus princípios. Mas um princípio, por definição, não admite negociação ou filosofia, é uma idéia que norteia o homem a uma linha de conduta que condiza com seus valores e sua essência, e não caminha com a lógica. Quando violado, um princípio não mede valores, e só funciona se utilizado cegamente.

O povo brasileiro é altamente flexível e aberto, capaz de compreender muitos pontos de vista e agir de forma maleável. Sua falta de seriedade, contudo, é ao mesmo tempo um néctar para o bem-estar social e um veneno contra a corretude. 

A corrupção acontece a qualquer nível, e pode parecer ter tamanhos diferentes de diferentes ângulos. Ao aceitar um troco incorreto, ao desfrutar de um bem ao qual não se tem direito – como a carteira do estudante, amplamente utilizada por pessoas que não estudam - ou mesmo se aproveitar de um preço visivelmente incorreto em um estabelecimento comercial, estamos nos corrompendo, e assumindo a identidade de cidadãos de um país que não é sério.

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