Milagres naturais – Parte 2: Seleção Natural e Evolução
A seleção natural explica como os seres humanos evoluíram de organismos unicelulares à espécie dominante do planeta. É uma teoria brilhante e simples a qual estamos acostumados como cidadãos do mundo contemporâneo, mas que durante uma longa era escura da humanidade pareceria – e pareceu – absurda. Darwin, após formulá-la, engavetou suas ideias durante décadas. O mundo de então, a começar pela sua esposa, baseava-se ainda nos princípios criacionistas, isto é, nas idéias do Gênesis. A espera e a indecisão para a publicação definitiva de sua obra prostrou-se de tal maneira em sua vida a ponto de deixá-lo doente. Até que, ao perceber que outro cientista da época estava prestes a publicar uma teoria semelhante a sua, Darwin enfim publicou A Origem das Espécies, consagrando-se como o pai da seleção natural.
Outros pensadores e cientistas anteriores a Darwin também chegaram a conclusões similares as suas, notavelmente Aristótoles, cerca de 2000 anos antes de Darwin. A bem da verdade, a seleção natural é óbvia. Uma sociedade como a Grega, cujo apego às crendices foi – ao menos em tempos – pouco danosa ao homem, e cujo respeito à razão e à lógica tomaram a frente do temor aos deuses, foi o bastante para permitir a um grande pensador a percepção do óbvio. Os séculos que se seguiram, dominados pelo medo e pela ignorância, cercearam a inventividade humana, desacelerando o progresso científico e castigando duramente grandes gênios de seu tempo. Darwin foi, então, um dos responsáveis pela evolução do mundo ocidental da época ao nosso, em que em boa parte predomina o bom senso.
A lógica da seleção natural não apenas dá a resposta para a origem dos seres vivos, mas também do mundo e do universo. A lei do acaso e da predominância do mais apto regem tudo que conhecemos, pintando uma face da natureza que pode nos parecer agressiva e impiedosa. Como a natureza desconhece sentimentos, é melhor chamá-la apenas de fria e calculista. Há, contudo, grande beleza nos mecanismos naturais. Como se diz, o fato de milhões de espermatozóides serem lançados a uma corrida cega pela sobrevivência, e apenas um alcançar a vida, é um evento espantoso e digno de admiração.
A evolução dos seres não é menos magnífica. Pequenas e lentas mudanças, no decorrer de milhares ou milhões de anos, redefinem ao sabor do acaso as espécies, através do imenso e complicado lego do DNA. Algumas dessas mudanças, casualmente, proporcionam aos seres vivos vantagens estratégias no complexo campo de batalha da vida – sobre um predador, sobre o ambiente, sobre seus adversários de procriação. A própria supremacia deste ser-vivo perpetua a mudança em sua espécie. Milagre da evolução natural.