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Arquivo de agosto, 2009

Milagres naturais – Parte 2: Seleção Natural e Evolução

23, agosto, 2009 Bruno Sem comentários

A seleção natural explica como os seres humanos evoluíram de organismos unicelulares à espécie dominante do planeta. É uma teoria brilhante e simples a qual estamos acostumados como cidadãos do mundo contemporâneo, mas que durante uma longa era escura da humanidade pareceria – e pareceu – absurda. Darwin, após formulá-la, engavetou suas ideias durante décadas. O mundo de então, a começar pela sua esposa, baseava-se ainda nos princípios criacionistas, isto é, nas idéias do Gênesis. A espera e a indecisão para a publicação definitiva de sua obra prostrou-se de tal maneira em sua vida a ponto de deixá-lo doente. Até que, ao perceber que outro cientista da época estava prestes a publicar uma teoria semelhante a sua, Darwin enfim publicou A Origem das Espécies, consagrando-se como o pai da seleção natural.

Outros pensadores e cientistas anteriores a Darwin também chegaram a conclusões similares as suas, notavelmente Aristótoles, cerca de 2000 anos antes de Darwin. A bem da verdade, a seleção natural é óbvia. Uma sociedade como a Grega, cujo apego às crendices foi – ao menos em tempos – pouco danosa ao homem, e cujo respeito à razão e à lógica tomaram a frente do temor aos deuses, foi o bastante para permitir a um grande pensador a percepção do óbvio. Os séculos que se seguiram, dominados pelo medo e pela ignorância, cercearam a inventividade humana, desacelerando o progresso científico e castigando duramente grandes gênios de seu tempo. Darwin foi, então, um dos responsáveis pela evolução do mundo ocidental da época ao nosso, em que em boa parte predomina o bom senso.

A lógica da seleção natural não apenas dá a resposta para a origem dos seres vivos, mas também do mundo e do universo. A lei do acaso e da predominância do mais apto regem tudo que conhecemos, pintando uma face da natureza que pode nos parecer agressiva e impiedosa. Como a natureza desconhece sentimentos, é melhor chamá-la apenas de fria e calculista. Há, contudo, grande beleza nos mecanismos naturais. Como se diz, o fato de milhões de espermatozóides serem lançados a uma corrida cega pela sobrevivência, e apenas um alcançar a vida, é um evento espantoso e digno de admiração.

A evolução dos seres não é menos magnífica. Pequenas e lentas mudanças, no decorrer de milhares ou milhões de anos, redefinem ao sabor do acaso as espécies, através do imenso e complicado lego do DNA. Algumas dessas mudanças, casualmente, proporcionam aos seres vivos vantagens estratégias no complexo campo de batalha da vida – sobre um predador, sobre o ambiente, sobre seus adversários de procriação. A própria supremacia deste ser-vivo perpetua a mudança em sua espécie. Milagre da evolução natural.

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Milagres naturais – Parte 1: Introdução

9, agosto, 2009 Bruno Sem comentários

Enquanto os religiosos falam exaustiva e repetidamente sobre milagres que aconteceram em tempos remotos, a natureza nos presenteia com eventos improváveis e inacreditáveis – como milagres – a cada segundo. Guiados pelo que aos nossos olhos pode parecer o puro acaso, mas em verdade uma combinação de variáveis por demais complexa, estes eventos definem o que conhecemos por vida e universo, tempo e espaço, existência e realidade.

Diferentemente dos milagres religiosos, contudo, os eventos naturais podem ser observados por todos, independendo de credo e crença, e gozam de constância infalível, pois não tomam parte em planos proibidos ao homem. Ao contrário: seus mecanismos podem ser escrutinados por qualquer inteligência, estudados e compreendidos. Destes estudos e suas combinações, compõe-se as ciências, cuja utilidade à humanidade alinha-se com seus interesses, de armas a medicamentos.

Da maravilha do nascimento de cada criança, às complexidades do cérebro humano, às assustadoras profundezas dos oceanos, à imensidão impressionante do espaço, ao cruel ciclo da vida e da morte; o universo é um prato fundo e cheio de maravilhas e magnificência, a fonte definitiva de grandeza, milagres e improbabilidades.

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No capitalismo, a crise cíclica é uma constante

2, agosto, 2009 Bruno Sem comentários

Enquanto o mundo dá sinais de recuperação da grande crise, discute-se como blindar a economia contra futuros desastres da mesma magnitude. É um consenso que a crise foi causada pelo excesso de crédito e confiança concedidos aos consumidores, de maneira que a regulamentação e a intervenção do governo junto aos bancos e financiadoras possibilitariam maior controle do risco. Uma variável, contudo, é deixada de lado nesta equação: a natureza caótica inerente ao modelo econômico capitalista.

Ao contrário do comunismo, o capitalismo estimula a conquista própria e pessoal. Esta é sua grande virtude, à medida que incita um ambiente altamente competitivo e produtivo; e seu legado maldito, por exigir a desigualdade e encorajar os excessos. Diferentemente do mundo que idealizamos coletivamente – igualitário e capitalista – o caminho individualista de nossa economia não dá lugar à justiça social. Mesmo países que desfrutam de baixa desigualdade social dependem de outros países para compensar a balança. No capitalismo, não há vencedor sem perdedor, e neste sentido, ele é perfeitamente compatível com o modelo da vida; é a representação da luta pela sobrevivência como modelo econômico, o definitivo “mundo cão”. Na medida em que a competição e o sucesso afiguram-se como elementos fundamentais para as sociedades e os indivíduos capitalistas, o excesso é uma constante. As exigências de um mundo meritocrata centrado no crescimento, na posse e na conquista, não dão lugar à temperança financeira ou à responsabilidade econômica. Desta feita, os esforços para conter excessos especulativos são, na melhor das hipóteses, localizados e passageiros. A perseguição do lucro e da vitória como quintessência do capitalismo firmam o eterno ciclo de exagero, crise e recuperação.

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