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Arquivo de novembro, 2009

Admirável Mundo Novo

8, novembro, 2009 Bruno Sem comentários

No ano de 1932, Aldous Huxleu publicou seu Admirável Mundo Novo, o romance que consagraria o autor como um dos grandes escritores ingleses. Cientificamente revolucionário, o livro descreve uma sociedade futurística dominada pela lógica, um estado tecnocrata perfeito onde não existem emoções expressivas e as pessoas são condicionadas a um estado permanente de harmonia e eficácia. Quase trinta anos após o lançamento do livro, o autor trabalhou em sua edição complementar Revisited, na qual mencionou como o mundo tinha se tornado parecido com sua distopia em ritmo muito mais rápido do que ele previa. Quase quarenta anos já se passaram desde então, e o ritmo parece só aumentar. 

Na ficção, o mundo é controlado por um único estado totalitarista, conhecido como Estado do Mundo. Através de uma hipotética manipulação dos óvulos, que muito se assemelha com algumas possibilidades da manipulação genética, os cidadãos são concebidos de forma artificial e industrial, divididos e moldados para compor castas sociais com objetivo e capacidade pré-definidos. Cada casta, logo, é apta a desempenhar um papel específico e está aberta a um nível de informação pré-determinado, de forma muito parecida com o que acontece em nosso mundo atual, onde praticamente todo o acesso à cultura e à educação é segregado entre as classes sociais.

A dor e o sofrimento não existem no Estado do Mundo. Completamente apartadas do conceito de família, as pessoas não são apegadas a ninguém, tendo a morte importância mínima. Essa, acontece impreterivelmente aos sessenta anos, sendo que a velhice não se manifesta durante estes anos. O sexo hetero e homossexual é estimulado desde a infância como um hábito meramente social e recreativo, e mesmo as mais inesperadas oscilações da alma humana podem ser tratadas com a Soma, droga sem efeitos colaterais que proporciona uma sensação de relaxamento e tranquilidade ao seu usuário. Novamente, as sociedades modernas se assemelham cada vez mais ao Estado do Mundo nestes quesitosA família exerce papel cada vez menor na vida do indivíduo, o sexo (inclusive homossexual) é fenomêno cada vez mais efêmero, e as drogas estão presentes em todos os níveis da sociedade.

A maior e mais assustadora semelhança dos mundos se dá, contudo, no modo de vida automatizado e robótico, guiado pelo consumismo extremo e regido pelos princípios de Henry Ford – otimizado, eficiente e produtivo. Desta Laranja Mecânica do romance, só escapam as pessoas que não se adaptaram ao sistema, os “selvagens”, homens deixados à própria sorte e às próprias leis nas áreas denominadas “reservas”. Resta contarmos com que o mundo real, em sua evolução em direção a Ford, guarde sua própria reserva, com o que sobrar de nossa humanidade como a conhecemos hoje.

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