O Irã e a mídia
Os norte-americanos classificam o Irã como parte do “eixo-do-mal”, e a cada nova suspeita de desenvolvimento de tecnologia para fabricação de armas nucleares, o país é taxado de “ameaça ao mundo”. A maior parte do ocidente e sua mídia repete os bordões livremente, comentando sobre o país em tom grave. Afinal, será o país de Ahmajinejad um país mal, uma ameaça ao mundo?
Ao recusar o holocausto como por vezes fez, Ahmajinejad representa uma ameaça para o mundo ou para os judeus? E em suas políticas totalitaristas e nada democráticas, o presidente do Irã é um problema para o mundo ou para o próprio povo? Qual ameaça o Irã representa, por exemplo, para o Brasil, em qualquer horizonte conhecido? Talvez o Irã seja uma ameaça ao mundo por causa do suposto desenvolvimento de armas nucleares, mas o que dizer então das super-potências que acumulam estoques destes armamentos há anos, possuem potencial pleno para desenvolver mais, e podem até mesmo estar desenvolvendo mais ogivas nucleares atualmente?
Se o acordo de não-ploriferação nuclear beneficia os países que já possuem armas nucleares e amputa os países que ainda não as tem, é uma ameaça contra quem, exatamente, ignorá-lo? Por que o Irã, em suas bravatas contra Israel, é mais ameaça ao mundo que os EUA, em sua suspeita jornada contra o terror, que culminou na invasão do Iraque contra a decisão do conselho de segurança da ONU, e com base em falsas evidências?
Por fim, é possível considerar sério um veículo de notícias de um país democrático que toma lado neste embate ideológico?