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Credos pseudo-científicos

Entre as inúmeras religiões e filosofias criadas para tornar a vida do homem melhor, figura uma nova classe de crenças, das quais são membros proeminentes as franquias O Segredo e Quem somos nós?. Apoiados em pseudo-ciência e recortes de filosofias orientais, ambos prometem o sucesso e a riqueza – e seus autores estão se saindo muito bem nestes quesitos. Diferentemente das religiões clássicas, essas filosofias veem no homem o centro do universo, e se apoiam sem bom senso em conceitos científicos para embasar suas crenças.

A ideia de utilizar a ciência como pilar da religião não é nova. Fritjof Capra, físico misticista, publicou nas décadas de 70 e 80 os livros O Tao da FísicaO Ponto de Mutação. Nestes livros, Capra traça paralelos entre conceitos científicos e teorias místicas, abordando tópicos tão diversos como economia e medicina, sem qualquer respeito ao rigor científico. Entre os absurdos científicos cometidos por Capra, destaca-se a aplicação dos princípios de força de atração da natureza ao emotivo-psicológico dos homens, propondo nosso suposto poder de atrair “coisas positivas” através do “pensamento positivo” – segundo as leis da própria ciência.

Na franquia do filme Quem Somos Nós?, a Física Quântica é remontada por olhos leigos para sustentar o absurdo. O Princípio da Incerteza, que só pode ser aplicado a elementos de escala quântica, como elétrons, diz que o instrumento de observação influencia na medida das propriedades de um elemento. No filme, o princípio é demonstrado com uma bola de basquete, provando que podemos alterar o mundo como meros observadores – através do milagre da física quântica. O ridículo culmina na proposição de que os índios norteamericanos não teriam enxergado – literalmente – as caravelas de Cristovão Colombo pois nunca tinham visto objetos como aquele, sendo que seus cérebros não foram capazes de interpretá-lo. O filme se baseia em supostas evidências do fato, que na óbvia verdade não existem.

Alguns erros são cometidos, por vezes, até mesmo sem o apoio da pseudo-ciência, valendo-se de conceitos filosóficos como “os olhos do observador”, ideia que destaca como o mundo pode ser diferente para cada observador, já que cada um presta atenção naquilo que chama sua atenção. Para as novas religiões, este é mais um indício de que o mundo foi criado pela nossa mente, só existe na nossa mente, ou é alterado pela nossa mente. 

O problema não está nas ideias, mas sim no quase criminoso embasamento falso feito na ciência, que a propósito, não teria as ferramentas necessárias para provar as teorias mesmo que elas fossem verdade.

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