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Breve história do nosso idioma e da tecnologia

Naqueles tempos, poucas pessoas possuíam um computador em casa no Brasil. O equipamento já havia adquirido status de item de luxo entre os eletrodomésticos, mas sua real utilidade no cotidiano ainda era questionada. o computador ainda era, para todos os efeitos, supérfluo.

Isto foi há 15 anos atrás. A internet se esgueirava tímida nos primeiros comerciais. Os poucos provedores disponíveis, como o gigante norte-americano AOL (América Online) e o recém criado brasileiro UOL (Universo Online), disputavam usuários com as BBS (Bulletin Board System), sistemas simples de texto-puro, isolados cada qual em sua própria rede de usuários, e mantidas muitas vezes por uma só pessoa.  Não demorou muito para a internet se popularizar, e junto a ela os primeiros softwares de comunicação via internet, como o ICQ e o IRC. Foi neste cenário em que começou um dos maiores processos de mudança que a língua portuguesa sofreria nas últimas décadas.

Como não era possível utilizar acentos na maioria das aplicações estrangeiras, desenvolvendo-se por necessidade o uso de palavras que imitam a fala, como o naum e o eh. O que na época era uma solução linguística para uma limitação tecnológica, propagou-se como uma gíria para a nova geração - que sequer conhece a história e dispõe de acentos em profusão nas aplicações modernas.

Foram a internet e os celulares que trouxeram as abreviações exdrúxulas – muitas vezes baseadas apenas em consoantes - para a língua, como vc e tc. A primeira, devido à alta velocidade que imprime nos diálogos de comunicadores instantâneos, provocando o encurtamento do diálogo e o menor cuidado com o texto. O segundo, pela inconveniência do minúsculo teclado numérico agrupado, além da limitação do total de caracteres.

A tecnologia também trouxe uma avalanche de estrangeirismos para a língua portuguesa, alguns dos quais ganharam um lugar ao sol nos dicionários, como o famigerado deletar.

Essas mudanças são vistas com olhos suspeitos pela maioria dos literatos e profissionais da língua. Muitos falam da destruição do nosso idioma em virtude do uso massificado da tecnologia. Fatalismos à parte, entenda-se que a tecnologia oferece apenas os meios de comunicação, e é agnóstica no que se refere ao bom ou mal português. No mais, o uso específico no ambiente virtual de abreviações, gírias e estrangeirismos, não atrapalha necessariamente  a boa educação e os hábitos de leitura.

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