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Textos com Etiquetas ‘futuro’

O futuro da medicina

6, setembro, 2010 Bruno Sem comentários

O futuro da medicina, como o de tantas outras disciplinas, está intimamente ligado à evolução de toda sorte de tecnologias. Ainda que seja impossível determinar o caminho das descobertas científicas, podemos conjecturar o destino utópico de cada tecnologia em sua interação com a medicina.

A nanotecnologia proverá medicamentos de maior eficácia e precisão, com nano-máquinas ingeríveis que navegarão o organismo humano em missões de análise, coleta e cura. Junto a isto, surgem os remédios e nano-agentes customizados para as necessidades e o organismo de cada paciente. Seu roteiro de navegação pelo corpo poderá ser redefinido pelo médico, via comunicação por ondas de rádio, em tempo real, enquanto as informações são coletadas.

Enquanto isso, a engenharia genética estará em desenvolvimento frenético. A reprogramação genética dará aos seres-humanos o poder da regeneração, de modo que membros inteiros perdidos cresçam novamente. Doenças genéticas e pequenas imperfeições no mapa genético serão tratados antes do nascimento da criança. Com o tempo, milionários pagarão por melhorias diversas, mutações benéficas a seus filhos. Uma possível separação na sociedade tomará forma entre mutantes e pessoas sem mutações, dando início a um difícil e demorado debate ético.

Por fim, haverá uma fronteira na medicina de caráter científico – e não social – que isolará no passado o conceito de doenças e problemas físicos, erradicando todos os males da saúde da vida do homem do futuro.

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Vivendo a vida como um avatar

17, fevereiro, 2010 Bruno Sem comentários

James Cameron, o diretor de O Exterminado do Futuro e Titanic, levou quase dez anos para viabilizar e desenvolver seu Avatar, sucesso de bilheteria e crítica que reinaugura a glória da ficção científica no cinema, uma vez que o filme é o primeiro do gênero a receber um Globo de Ouro desde E.T., de Spilberg. Utilizando-se dos efeitos mais caros da história e de sua habilidade madura de conduzir linhas narrativas, Cameron construiu sua obra em cima de uma história simples, sem fórmulas desconhecidas e para todos os públicos, com a qual é possível se emocionar e identificar, e difícil se decepcionar. Curiosamente, esta mesma história modesta e cativante utiliza-se de conceitos tecnológicos extremamente avançados e incorre em questões filosóficas complexas e cuja presença em nosso cotidiano é apenas recente. Desta forma, Avatar nos convida a reflexões metafísicas da forma mais despretensiosa possível.

Na clássica trama do soldado em conflito, o protagonista Jake se infiltra na população alienígena Na’vi para coletar informações do planeta Pandora, onde há um minério de altíssimo valor para a humanidade – que continua, neste futuro, confinada a seu planeta moribundo e sem recursos. Para tanto, Jake se “conecta” a um corpo Na’vi produzido por engenharia genética, utilizando seu avatar para interagir com os alienígenas. Durante sua jornada, Jake se apaixona pelo povo alienígena, e presumidamente por sua nova condição física, que além de esbanjar maior força e agilidade que a de seu corpo humano, inclui as duas pernas saudáveis cujo controle Jake perdera na guerra.

Jake passa a se dedicar tanto a suas tarefas virtuais em seu segundo corpo, que seus cuidados mais básicos passam a ser ignorados, como a higiene e a alimentação, de forma muito similar ao que acontece com alguns usuários de computador e vídeogames. Por sinal, a ideia de que todos nós, pouco a pouco, estamos abdicando do real e vivendo mais no mundo virtual, utiliza a tecnologia como o arauto da alienação, mas esta é somente mais uma novidade em um universo de opções já antigo, cuja extensão é limitada somente pela vontade do observador; as drogas alucinógenas, os programas de reality show, e até mesmo romances e meditação podem ser considerados formas de fuga. A tecnologia, contudo, promete uma revolução: alienação em grande estilo.

Quando as tecnologias necessárias para simulação da realidade ao cérebro estiverem disponíveis, e eventualmente estarão, um mundo extraordinário e assustador de possibilidades nascerá. É de se esperar que, à altura do desenvolvimento de tais tecnologias, a inteligência artificial, a computação gráfica e o poder de processamento estejam bastante avançados, propiciando o nascimento de mundos virtuais com os quais poderemos interagir com a qualidade do mundo real ou similar. Em mundos conectados, similares ao software de Matrix, será possível realizar encontros “pessoais” sem a necessidade de cruzar quaisquers distâncias. Por que não ser um pouco mais bonito, magro e forte neste mundo? E que tal ter acesso total, confidencial e seguro aos prazeres da carne, sem efeitos colaterais? Em um lugar que não existe, não há acordos ou responsabilidades – um desafio para a ética e a moral.

Enquanto a tecnologia se desenvolve, os equipamentos terão acesso a locais do cérebro que não temos normalmente, e a realidade virtual se tornará uma realidade estendida, mais interessante, colorida e sensível que a própria realidade – uma loucura permitida pelas maravilhas das portas da percepção.

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Admirável Mundo Novo

8, novembro, 2009 Bruno Sem comentários

No ano de 1932, Aldous Huxleu publicou seu Admirável Mundo Novo, o romance que consagraria o autor como um dos grandes escritores ingleses. Cientificamente revolucionário, o livro descreve uma sociedade futurística dominada pela lógica, um estado tecnocrata perfeito onde não existem emoções expressivas e as pessoas são condicionadas a um estado permanente de harmonia e eficácia. Quase trinta anos após o lançamento do livro, o autor trabalhou em sua edição complementar Revisited, na qual mencionou como o mundo tinha se tornado parecido com sua distopia em ritmo muito mais rápido do que ele previa. Quase quarenta anos já se passaram desde então, e o ritmo parece só aumentar. 

Na ficção, o mundo é controlado por um único estado totalitarista, conhecido como Estado do Mundo. Através de uma hipotética manipulação dos óvulos, que muito se assemelha com algumas possibilidades da manipulação genética, os cidadãos são concebidos de forma artificial e industrial, divididos e moldados para compor castas sociais com objetivo e capacidade pré-definidos. Cada casta, logo, é apta a desempenhar um papel específico e está aberta a um nível de informação pré-determinado, de forma muito parecida com o que acontece em nosso mundo atual, onde praticamente todo o acesso à cultura e à educação é segregado entre as classes sociais.

A dor e o sofrimento não existem no Estado do Mundo. Completamente apartadas do conceito de família, as pessoas não são apegadas a ninguém, tendo a morte importância mínima. Essa, acontece impreterivelmente aos sessenta anos, sendo que a velhice não se manifesta durante estes anos. O sexo hetero e homossexual é estimulado desde a infância como um hábito meramente social e recreativo, e mesmo as mais inesperadas oscilações da alma humana podem ser tratadas com a Soma, droga sem efeitos colaterais que proporciona uma sensação de relaxamento e tranquilidade ao seu usuário. Novamente, as sociedades modernas se assemelham cada vez mais ao Estado do Mundo nestes quesitosA família exerce papel cada vez menor na vida do indivíduo, o sexo (inclusive homossexual) é fenomêno cada vez mais efêmero, e as drogas estão presentes em todos os níveis da sociedade.

A maior e mais assustadora semelhança dos mundos se dá, contudo, no modo de vida automatizado e robótico, guiado pelo consumismo extremo e regido pelos princípios de Henry Ford – otimizado, eficiente e produtivo. Desta Laranja Mecânica do romance, só escapam as pessoas que não se adaptaram ao sistema, os “selvagens”, homens deixados à própria sorte e às próprias leis nas áreas denominadas “reservas”. Resta contarmos com que o mundo real, em sua evolução em direção a Ford, guarde sua própria reserva, com o que sobrar de nossa humanidade como a conhecemos hoje.

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Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 4: Nanotecnologia

26, abril, 2009 Bruno Sem comentários

O controle da matéria é uma daquelas possibilidades que nos obrigam a repensar tudo. Um mundo onde a estrutura da matéria pode ser controlada tem valores e importâncias diferentes do que conhecemos hoje. A nanotecnologia é a chave para esta mudança.

Nanotecnologia é a combinação de ciências e ferramentas necessárias para a manipulação da matéria em escala nanométrica, isto é, numa profundidade molecular. As possibilidades oferecidas por esta tecnologia são muitas: criação de materiais em escala nano (nanomateriais) com propriedades que não encontramos na natureza; construção de nanorobôs e equipamentos minúsculos; e até mesmo a modificação arbitrária da matéria.

As possibilidades mais tangíveis da nanotecnologia alçam várias disciplinas a novos patamares, a começar pela produção de materiais com atributos que só podem ser obtidos através de manipulação nanométrica. Cientistas já produzem o material mais forte e flexível conhecido pelo homem, os nanotubos de carbono. As aplicações dos nanotubos são numerosas: roupas à prova de bala, edifícios ultra-leves, circuitos eletrônicos mais podersos e incríveis elevadores para o espaço. 

Também os nanorobôs, ainda teóricos, teriam aplicações infindáveis, a começar pelos campos da medicina e da biologia: medicamentos inteligentes e multi-funcionais, micro-robôs cirurgiões e agentes inteligentes de monitoramento do corpo-humano. Suas aplicações militares também são muitas, como robôs espiões e robôs assassinos, ambos invisíveis. Sua possível indetectabilidade dariam um novo sentido à vida pública e aos relacionamentos dos humanos em sociedade. O estudo dos nanorobôs também sugerem alguns riscos como o hipotético efeito conhecido como Grey Goo: o fim do mundo causado por nanorobôs auto-replicantes, que fora de controle consomem toda a matéria existente.

Mas a mais poderosa, controversa e distante possibilidade reside na manipulação arbitrária da matéria, que permitiria a hipotética criação de qualquer material a partir do “nada”, isto é, a transformação de oxigênio em ouro, por exemplo. Esta tecnologia poderia ser empacotada em pequenas fábricas de realidade, que se amplamente divulgadas e progressivamente acessíveis, mudariam o que entendemos por riquezas e posses, possivelmente acabando com o sentido do acúmulo de poder e com as lutas por recursos.

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A inevitabilidade do capitalismo e o milagre da tecnologia

22, março, 2009 Bruno Sem comentários

Abro um parêntese nestas mal traçadas linhas para dar lugar a um artista da palavra e do pensamento, Ferreira Gullar.

QUANDO DIGO acreditar que o capitalismo não morre, estou na verdade repetindo Karl Marx, com uma diferença, porém: para ele, como o capitalismo sai de cada crise mais vigoroso ainda, a única força capaz de liquidá-lo é a classe operária, por ele apelidada de “coveiro do capitalismo”. Como, a esta altura, a classe operária está noutra, fico só com a primeira parte da tese marxista: por si, o capitalismo não morrerá nunca.

Não estou afirmando que isso é bom ou ruim. Independentemente do que pensemos, a verdade é que o capitalismo, como planta daninha, vai se alastrando, tomando o terreno, trepando pelos troncos, sugando a seiva das árvores. Nada o detém, a não ser a sua própria voracidade, que o deixa, subitamente, sem chão e água. Aí, começa a murchar, a mixar, recuando até o ponto em que possa voltar a crescer. Como toda a sociedade depende dele, o próprio Estado lança mão de tudo para salvá-lo, com a aprovação de todos, particularmente dos trabalhadores que necessitam dele para ter emprego e salário. E começa tudo de novo.

O capitalismo não foi inventado por teóricos, nasceu espontaneamente do processo produtivo, movido pela iniciativa dos indivíduos que queriam melhorar de vida, produzir, vender, comprar, investir. Como as pessoas têm capacidades desiguais, nesse processo uns se deram melhor que outros, sendo que alguns poucos se deram muito melhor que a maioria. Por isso, o capitalismo expressa a desigualdade que caracteriza as pessoas e até mesmo as agrava. A ganância legitima toda e qualquer iniciativa, sem levar em conta que consequências terá na vida dos demais.
Enriquecer, concentrar riqueza em poucas mãos, é próprio do sistema que, em certas circunstâncias, beneficia muito a uns poucos, enquanto ignora a precária situação de muitos. O socialismo foi inventado para introduzir, no processo econômico, a justiça, a igualdade, eliminando o capitalismo. Não o conseguiu. O jeito, então, é tentar melhorá-lo, já que é impossível acabar com ele. Sonho com um milagre: que o desenvolvimento tecnológico, fazendo com que as máquinas produzam sozinhas numa escala ilimitada -já que não recebem salário, não dormem e não tiram férias- e com isso seria inevitável a distribuição gratuita do que foi produzido. A acumulação de bens chegaria a tal nível que as mercadorias perderiam o valor e o mercado deixaria de existir…

Excerto da página E13 do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de 22 de Março de 2009.

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Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 3: Engenharia Genética

14, março, 2009 Bruno Sem comentários

A engenharia genética não possui limites. É uma ferramenta à altura dos sonhos mais loucos do homem. A julgar pelas estruturas vivas que conhecemos – todas dependentes de genes – o domínio dessa tecnologia nos permitirá a criação de virtualmente qualquer tipo de forma de vida imaginável, inclusive seres meramente utilitários. Estes seres poderiam provar-se muito mais úteis que máquinas em diversas esferas, uma vez que a linguagem da vida é infinitamente mais poderosa e completa que nossas criações mecânicas e eletrônicas.

No aspecto moral, o mais interessante poder da engenharia genética é de obrigar o homem a repensar o que entende por vida. Ao passo que criarmos criaturas com um propósito e objetivo específicos, emergirá o entendimento da vida como uma fórmula matemática complexa, desprovida de alma e digna de pouco valor. A engenharia genética será o meio, logo, para a instrumentalização mor e final dos seres vivos enquanto objeto de estudo e ferramenta.

Na prática, a engenharia genética pode forçar a evolução da espécie humana, que alguns afirmam ter sido freada com a globalização. Estudos indicam que nossos genes são grandes responsáveis pela nossa expectativa de vida, e que a regeneração como observada nas estrelas-do-mar – que podem recriar-se por completo através de cada pequeno pedaço – é uma opção disponível aos mamíferos no menu genético. Além disso, a engenharia genética pode aprimorar o homem através dos atributos físicos, sensoriais e ultimamente as faculdades mentais. De que maravilhas seria capaz uma inteligência dez vezes superior a nossa?

O debate de como operar aprimorações na espécie é um desafio muito maior que a realização científica. A sociedade moderna, atada aos cordões de mentes retrógradas, quase não é capaz de aprovar sequer as pesquisas com células-tronco, relegando assim o conhecimento aos militares, que possuem recursos e permissão para o que bem entenderem.

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Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 2 (Prólogo)

26, fevereiro, 2009 Bruno Sem comentários

Falar sobre a humanidade como um todo exige um cuidado muito grande. É frequente, especialmente ao ocidental, a visão estreita e simplista do mundo. Nós, por exemplo, cidadãos de classe média e alta de países democráticos, precisamos ter em mente que somos privilegiados, e ultimamente uma exceção. A exceção que inclui, por exemplo, o parco 1/5 dos habitantes do planeta terra que tem acesso a um computador.

Algumas revoluções da tecnologia, em particular aquelas relacionadas à guerra, afetam a humanidade como um todo. Outras, cujo foco é o indivíduo e as comunidades, restringem-se a este contingente de “cidadãos de primeiro mundo”.

O maior fracasso da tecnologia é ser para poucos. O homem moderno médio anseia por coisas muito mais básicas que um iPhone.

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Divagações sobre a tecnologia e o futuro do homem – Parte 1

15, fevereiro, 2009 Bruno Sem comentários

Na mitologia grega, Prometeus rouba dos céus e dá aos homens o segredo do fogo, sendo condenado por Zeus a ter seu fígado devorado por uma águia, dia após dia, pela eternidade.

Na mitologia hebraico-cristã, Adão e Eva comem um fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, perpetuando o pecado original e sendo expulsos dos jardins do Éden. Sua punição, discute-se, foi ainda pior que a de Prometeus: a mulher sofreria as dores do parto, e o homem ganharia o pão através do próprio suor.

Desde então, a humanidade logrou pouco avanço na área da obediência e da humildade perante os deuses.  Além do fogo e do sexo, o homem tomou para si o conhecimento dos instrumentos divinos mais espetaculares, como a filosofia, a arte e a ciência.

A ciência em especial, dá ao homem habilidades de grande arquiteto. Com a matemática, quintessência de todas as estruturas e padrões, elaboramos a linguagem da lógica e do raciocínio. Através da física e da química, alcançamos o entendimento das estruturas primordiais do universo. Pela biologia, por fim, alçamos nosso poder como espécie e ser-vivo no entendimento dos organismos vivos e do meio-ambiente que conhecemos.

A tecnologia, por sua vez, é o elo entre as ciências e as ferramentas necessárias para as grandes conquistas, como a engenharia genética, a biomedicina, a robótica e a nanotecnologia. É a grande chave para as questões proibidas ao homem, o incansável inimigo dos deuses.

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Claytronics

18, janeiro, 2009 Bruno 1 comentário

De todos os experimentos envolvendo o domínio da matéria patriocinados pela nanotecnologia, um dos mais interessantes e promissores no curto-prazo é a renderização física dinâmica, ou simplesmente Claytronics.

Desenvolvida numa parceria entre a universidade norte-americana Carnegie-Mellon e a Intel, Claytronics é uma tecnologia de construção de realidade. Blocos básicos de construção, apelidados de Claytronic Atoms ou Catoms, conectam-se em formatos variados para formar ou simular virtualmente qualquer coisa, de uma cadeira a um ser-humano.

Ainda em projeto, a tecnologia traz alguns desafios interessantes, a começar pela própria conexão física entre os Catoms. Com alguns centímetros em sua versão atual, eles devem ser tão pequenos quanto possível, para que os objetos finais sejam funcionais e realistas. A miniaturização, contudo, impõe sérias barreiras à eletromagnética e à eletrostática. Os Catoms também devem ser munidos de uma tecnologia similar ao LCD ou ao LED, de forma que possam mudar de cor.

Mas o principal desafio parece ainda o da engenharia do software de controle dos Catoms. É necessário que cada Catom saiba seu destino de forma individual e coletiva. Se um Catom estiver problemático, por exemplo, outro deve assumir o seu lugar.

As possibilidades oferecidas pela Claytronics são ilimitadas. A primeira aplicação imaginada, que exigirá um nível avançado de desenvolvimento da tecnologia, é a da tele-presença. Através de um clone de micro-estruturas alinhadas dinamicamente, será possível estar presente fisicamente em mais de um lugar ao mesmo tempo.

Claytronics é apenas mais uma das fantásticas tecnologias em desenvolvimento que nos permitirão maior controle da matéria, elevando a humanidade a um novo patamar da evolução.

Site oficial.

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O Idioma da Programação

4, fevereiro, 2008 Bruno Sem comentários

Existem dois tipos de programadores: Aqueles que programam por profissão, e aqueles que programam por paixão. Estes, costumam se considerar especiais, algo a mais que o ser-humano normal. Como no filme Matrix, onde o protagonista é um programador, hacker e salvador da humanidade; graças a uma íntima relação entre alcançar a iluminação, transgredir as barreiras de seu próprio mundo e entender o código do software.

Não é para menos. Programar significa controlar um mundo. As linguagens de programação são como as leis da natureza e os elementos básicos de um universo. Cada erro resolvido ou solução encontrada significam muito dentro desse mundo. Além disso, programar é uma forma de expressão da criatividade, é quase uma forma de arte. Cada código carrega uma assinatura fiel de seu autor, dos detalhes à estrutura inteira. Em cada decisão tomada pelo mais rápido, correto, bonito, prático, fácil, há por trás uma pessoa com determinado conhecimento, disposição e talento. Há escolhas.

A cada dia aumenta o número de estruturas da humanidade sustentadas pela programação. Tudo aquilo sobre o que o homem tem controle e pode ser de alguma forma automatizado ou catalogado, será feito através da programação, que é o idioma da lógica e dos processos.

No futuro, quando o homem dominar a genética, será possível construir e desenhar vida através de programação. Num futuro mais distante, no qual a nanotecnologia tenha evoluído para a manipulação avançada das moléculas, será possível construir e desenhar nosso universo através de programação.

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