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Textos com Etiquetas ‘guerra’

O Irã e a mídia

25, abril, 2010 Bruno Sem comentários

Os norte-americanos classificam o Irã como parte do “eixo-do-mal”, e a cada nova suspeita de desenvolvimento de tecnologia para fabricação de armas nucleares, o país é taxado de “ameaça ao mundo”. A maior parte do ocidente e sua mídia repete os bordões livremente, comentando sobre o país em tom grave. Afinal, será o país de Ahmajinejad um país mal, uma ameaça ao mundo?

Ao recusar o holocausto como por vezes fez, Ahmajinejad representa uma ameaça para o mundo ou para os judeus? E em suas políticas totalitaristas e nada democráticas, o presidente do Irã é um problema para o mundo ou para o próprio povo? Qual ameaça o Irã representa, por exemplo, para o Brasil, em qualquer horizonte conhecido? Talvez o Irã seja uma ameaça ao mundo por causa do suposto desenvolvimento de armas nucleares, mas o que dizer então das super-potências que acumulam estoques destes armamentos há anos, possuem potencial pleno para desenvolver mais, e podem até mesmo estar desenvolvendo mais ogivas nucleares atualmente?

Se o acordo de não-ploriferação nuclear beneficia os países que já possuem armas nucleares e amputa os países que ainda não as tem, é uma ameaça contra quem, exatamente, ignorá-lo? Por que o Irã, em suas bravatas contra Israel, é mais ameaça ao mundo que os EUA, em sua suspeita jornada contra o terror, que culminou na invasão do Iraque contra a decisão do conselho de segurança da ONU, e com base em falsas evidências?

Por fim, é possível considerar sério um veículo de notícias de um país democrático que toma lado neste embate ideológico?

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UAVs e HomeWar

6, setembro, 2009 Bruno Sem comentários

Na contínua caçada ao Taleban, os EUA dispõe de um recurso tecnológico que vem sendo empregado de forma cada vez mais extensa: os UAVs, ou Unmanned Aerial Vehicles (Veículos Aéreos Não Tripulados). Apenas neste ano, a mídia registrou 365 vítimas letais dos UAVs no Paquistão, país onde a guerra contra o Taleban acontece com mais intensidade. Entre estas vítimas estariam Saad Bin Laden, um dos filhos de Osama Bin Laden, e Baitullah Mehsud, um dos principais líderes do Taleban no Paquistão.

Alguns UAVs são utilizados apenas para vigilância, como o Global RQ-4, que permite detectar movimentos em um raio de 100 kilometros e visualizar locais a grandes alturas - com qualidade gráfica de poucos metros. Neste tipo de operação de vigilância, alvos podem ser monitorados com precisão e sem qualquer visibilidade do UAV, mesmo em céu limpo. Já os UAVs de combate, como o MQ-1 Predator, também carregam mísseis e outros artefatos bélicos. Apenas deste modelo, o exército estadunidense dispõe de quase 200 unidades. Helicópteros também entraram para o arsenal não tripulado norte-americano com o Boeing A160T Hummingbird, um equipamento inovador que supera a capacidade de todos os helicópteros atuais, voando com autonomia de 24 horas e até 30.000 pés de altura (10.000 pés a mais que o normal).

Os planos para o futuro dos veículos não tripulados são grandes. Um documento do departamento de defesa estadunidense cogita um futuro onde nenhum avião será tripulado, e concentra seus investimentos neste sentido. Entre as melhorias desejadas, a DARPA abriu um concurso para o desenvolvimento de uma nova tecnologia chamada Vulture, que permitirá que UAVs equipados com painéis fotovoltaicos se estabeleçam acima das nuvens e planem durante cinco anos, podendo ser acionados quando necessário e não precisando pousar.

Os UAVs estão entre os robôs mais modernos da atualidade, e inauguram uma nova fase no modo de fazer guerra. Seus operadores encontram-se, muitas vezes, há milhares de kilometros do campo de batalha, operando suas armas como vídeo-games – modelo que pode se converter até mesmo em um tipo de HomeOffice (ou HomeWar?), o que seria uma obra prima e doentia da excelência militar técnica capitalista.

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Exoesqueletos

12, julho, 2009 Bruno Sem comentários

Matrix APU

Dentre as tecnologias de ponta das pesquisas militares, figura um conceito de popularidade crescente, os Exoesqueletos. Demonstrados na trilogia Matrix sob a forma de APUs (Armored Personal Units), os pesados equipamentos conferiam aos seu usuários, no filme, grande poder de fogo e pouca mobilidade. Já no blockbuster Ironman, o lendário industrial da guerra Tony Stark, inspirado no personagem dos quadrinhos de Stan Lee,  constrói uma armadura leve e elegante que proporciona poder de fogo através de lasers, blindagem contra virtualmente qualquer dano, força sobre-humana e capacidade de vôo.
 
Enquanto a armadura do Homem-de-Ferro exige avanços substanciais de diversos campos da ciência, apresentando desafios como a capacidade de voar em um equipamento tão pesado e de aerodinâmica tão pobre, o exoesqueleto de Matrix parece bastante próximo de se tornar realidade. Com o crescente interesse militar nos exoesqueletos, aumentam os investimentos em pesquisas e emergem exemplos bastante funcionais da tecnologia, como o Exoesqueleto da Raytheon, empresa sediada em Utah. Na demonstração do equipamento, o operador é capaz de erguer grandes pesos sem esforço e movimentar-se com razoável agilidade. Da mesma forma, a universidade de Berkley desenvolve um Exoesqueleto parcial para as pernas, também já funcional, que permite ao seu operador carregar dezenas de quilos compensados pela mecânica do equipamento.
 

Homem de Ferro

Exoesqueletos não apenas vão permitir aos soldados carregar mais peso com facilidade no campo de batalha, mas também vão reconfigurar em definitivo seu papel estratégico em combate. Aliado aos últimos avanços em armamentos e biomedicina, o Exoesqueleto conferirá aos soldados enorme vantagem sobre seus inimigos.
Não obstante, há uma séria barreira para a aplicação prática de exoesqueletos. Ao transferir o trabalho pesado para a máquina, poupamos o soldado mas precisamos prover energia ao equipamento – e muita. Assim como em tantas outras áreas de pesquisa, as fontes de energia disponíveis atualmente são um gargalo para o avanço tecnológico dos exoesqueletos. 
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Guerra como prestação de serviço

10, abril, 2009 Bruno Sem comentários

Pela primeira vez na história, matadores de aluguel organizam-se em empresas globais que negociam diretamente com governos, facções terroristas e qualquer um disposto a pagar bem. Seu sucesso representa uma vitória do capitalismo e da terceirização, e mais uma profunda e dolorosa ferida na democracia.

Os mercenários remontam a datas tão antigas quanto os registros permitem. Um bom exemplo é o das Guerras Médicas, uma série de conflitos entre Gregos e Persas cinco séculos A.C., dos quais a Batalha das Termópilas é o mais famoso, e fonte de inspiração da H.Q. 300 de Frank Miller, bem como o filme homônimo. Nestas guerras, o rei persa Xerxes, mais de uma vez, empregou combatentes terceirizados, além de pagar a gregos por informações.

Desde então, novas e surpreendentes maneiras de lucrar com a guerra foram inventadas, em especial na primeira e segunda guerras mundiais. A primeira guerra mundial, por exemplo, trouxe o War Bond, uma ação de guerra cujo investimento é utilizado em prol da vitória. O retorno é materializado após o fim vitorioso da guerra. Mas a grande galinha dos ovos de ouro foi a segunda guerra mundial, que deixou de espólio uma dúzia de países falidos da ex-URSS com centenas de bases militares praticamente abandonadas, cada uma com toneladas de armamentos de todos os tipos. Estas armas são vendidas até hoje por comerciantes e podiam ser encontradas em quase todos os conflitos armados pós-segunda guerra, nos dois lados do campo de batalha.

Por fim, no início da década de 90, surgiram grupos armados de grande porte prontos para lutar em troca de dinheiro, ideologicamente promíscuos. Tim Spicer talvez seja o primeiro homem a criar uma empresa deste tipo, a Aegis Defence Services. Alguns grupos como este cresceram rapidamente e se tornaram empresas globais de alto faturamento com dezenas de milhares de funcionários. Seus soldados variam de principantes pobremente armados a especialistas em tecnologias de última geração. Sua estrutura é comparável com as empresas high-tech, de alta complexidade, gerenciamento moderno e foco em resultados e valorização das ações. Além disso, estas empresas são alvo constante de polêmicas, envolvidas rotineiramente em escândalos. O melhor e mais conhecido exemplo é o das torturas na prisão de Abu Ghraib do Iraque, que envolveram militares terceirizados do exército norte-americano. As pessoas foram processadas individualmente, e as empresas, imunes, continuam a fechar novos contratos com o exército estadunidense.

A sociedade parece impotente em relação às empresas militares privadas, que são enquadradas nas leis corporativas apesar da importância de seu ramo de atuação. Seus contratos são protegidos por leis e não podem ser revelados mesmo em situações críticas. A comum participação de membros do governo e do exército em seu quadro societário completam sua blindagem.

É óbvia a emergência de uma nova política social para as empresas de guerra privadas. Uma política específica, híbrida, que preveja as facilidades comerciais e contratuais às quais as empresas tem direito, e a transparência necessária ao bem da sociedade – e do próprio estado.

Leitura indicada

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