Os periódicos impressos, especialmente os jornais, enfrentam uma severa queda em vendas e circulação. Este movimento acontece há alguns anos e tem como principal responsável a internet, que está mudando o ritmo e a forma de consumir notícias. Com sua eventual e já anunciada extinção, que falta fazem os jornais impressos?
Os jornais hoje são responsáveis por enorme parte da da criação autêntica de conteúdo, sendo que sua ausência deixaria os replicadores de notícias com menos fontes a recorrer. Os impressos também agregam notícias, colunistas, editores e fontes de maneira única, transmitindo – por mais imparcial que o veículo seja – uma opinião e uma visão de mundo no conjunto das publicações. Ainda é muito difícil reunir conteúdo de fontes diversas com a mesma qualidade que fazem os impressos, por mais que este conteúdo exista.
O consumo de escolha e por demanda pode implicar no estreitamento da visão do leitor, que não tem estímulo em buscar novas ou diferentes opiniões quando é limitado ao seu agregador de notícias. Os jornais impressos também entram em um nível de detalhe que as outras mídias ignoram, e utilizam um estilo culto de escrita que é exclusivo às suas páginas e incentiva os leitores a maior erudição.
Nos últimos anos, em especial nos países de primeiro mundo, os jornais sofrem uma brutal queda em suas vendas e audiência. Os jornais impressos, principalmente, estão sendo esmagados pelos novos veículos de comunicação, como blogs, microblogs e sites de notícia especializados. No Brasil, este movimento é menos acentuado, devido em grande parte à migração de muitas pessoas a classes sociais mais altas, fato que estimula o consumo até mesmo de jornais. As próximas décadas, contudo, tendem a ser cada vez mais negras para os antigos formatos de mídia, dominadas por gerações que ignoram por completo a existência e a importância de tais veículos.
De forma similar à morte das gravadoras de música, esta é uma mudança a qual as editoras de revistas e jornais terão de se adaptar se quiserem sobreviver. Existe, entretanto, um problema conceitual nesta revolução midiática. Os novos arautos das notícias, os sites indepentes, não produzem seu próprio conteúdo desde a fonte, em sua maioria. Em vez disto, apenas replicam notícias coletadas de diversas fontes. A produção de notícias como conhecemos hoje depende de estruturas e recursos que os sites independentes não possuem, como fontes privilegiadas por tradição e reputação, fontes remotas e sucursais, etc. Entramos assim em um problema financeiro: Os consumidores trocam a mídia privada convencional pela mídia digital independente. A segunda é consumidora da primeira, mas não em volume suficiente para mantê-la. No pior cenário possível, a primeira deixa de existir e a segunda fica sem matéria prima, e é o fim do jornalismo profissional escrito, ou sua redução ao mínimo. Outro possível desdobramento é a sobrevivência exclusiva do jornalismo nos braços de mídia de grandes empresas pontocom, como o Google e a Microsoft. Em qualquer um dos casos, o jornalismo profissional sai perdendo.